Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência analisou resultados escolares do 5.º e 6.º anos no ano letivo de 2014/2015. Trinta por cento dos alunos do 6.º ano tiveram negativa em Matemática. O mesmo aconteceu a 26% dos estudantes do 5.º ano. No final do ano, 12% dos alunos do 5.º ano tiveram três ou mais negativas. Português foi a disciplina com menos 5 na pauta.

 

Matemática e Inglês foram as disciplinas que mais dores de cabeça deram aos alunos do 5.º e 6.º anos do 2.º ciclo do Ensino Básico matriculados nas escolas públicas de Portugal continental no ano letivo de 2014/2015. A conclusão sobressai da análise feita pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), que passou a pente fino os resultados escolares disciplina a disciplina desse nível de ensino. É na Matemática que os alunos têm maiores dificuldades em recuperar, ou seja, passar de negativa para positiva. As raparigas têm melhores desempenhos escolares do que os rapazes e o contexto socioeconómico continua a pesar nas notas. Em 2014/2015, Matemática teve a maior percentagem de negativas no 2.º ciclo: 30% dos alunos do 6.º ano tiveram negativa no final do ano, a percentagem mais elevada de insucesso entre todas as disciplinas; por outro lado, cerca de 15% tiveram aproveitamento insuficiente em Inglês, a segunda disciplina com maior taxa de negativas. No 5.º ano, Matemática também lidera as negativas com 26%, seguindo-se Inglês com 14%, Português com 13% e História e Geografia de Portugal com 12%. No extremo oposto, está Educação Física, disciplina em que apenas 2% dos alunos não tiveram positiva. No 6.º ano, a seguir a Matemática e Inglês, surgem também Português e História e Geografia de Portugal, ambas com 9% de negativas. Educação Musical, Educação Tecnológica e Educação Física têm, cada uma, 2% de negativas. No 5.º ano, 12% dos alunos tiveram três ou mais negativas no final do ano, no 6.º a percentagem foi de 7%.

Português foi a disciplina em que menos vezes os professores atribuíram a classificação máxima de 5 aos seus alunos, em 2014/2015, tanto no 5.º como no 6.º ano. O que não aconteceu em Educação Musical, em que cerca de um quarto de todos os alunos obteve a classificação 5. No 5.º ano, a maior percentagem, 24% da nota mais elevada concentrou-se em Educação Musical. O mesmo aconteceu no 6.º ano, com a mesma percentagem exatamente na mesma disciplina. E quantos alunos do 2.º ciclo conseguiram ter uma pauta totalmente limpa, ou seja, positiva a todas as disciplinas no final desse ano letivo? Ao todo, 70% dos alunos do 5.º ano e 66% dos alunos do 6.º ano.

Pormenorizando os dados, e focando a atenção num subconjunto mais restrito de alunos, especificamente nos que transitaram de ano curricular no final de 2014/2015, verificou-se que 30% dos alunos que passaram do 5.º para o 6.º ano tiveram, pelo menos, negativa a uma disciplina. Percentagem que sobe para 34% dos alunos que transitaram do 6.º para o 7.º ano. Ou seja, cerca de um em cada três alunos do 2.º ciclo passaram de ano com negativas no ano letivo em análise. Negativas sobretudo a Matemática e a Inglês.

Dos alunos que passaram com negativas, quantos conseguiram recuperar as suas classificações passado um ano, transformando-as em positivas? “Seria interessante determinar até que ponto a atribuição de uma classificação negativa é, ou não é, para a maioria dos alunos, um acidente passageiro e facilmente recuperável”, lê-se no estudo feito pela DGEEC. O que acontece é que a percentagem de recuperações depende bastante da disciplina em causa. Enquanto 85% dos alunos que transitaram do 5.º para o 6.º ano com negativa a Educação Tecnológica conseguiram recuperar esta negativa no final do 6.º ano, apenas 21% dos alunos conseguiram uma recuperação semelhante numa negativa a Matemática.

“Conclui-se que as negativas em Matemática, ao contrário das negativas em Educação Tecnológica, raramente são episódios passageiros. O mesmo acontece quando se trata de negativas em Inglês, as quais são recuperadas no ano seguinte por apenas 34% dos alunos. As taxas relativamente baixas de recuperações de negativas em Matemática e em Inglês estarão certamente relacionadas, entre outros fatores, com a natureza marcadamente sequencial e interdependente das suas matérias curriculares”, sublinha a DGEEC.

Como evoluem os bons alunos?
A DGEEC quis perceber também a evolução dos bons alunos, mais concretamente dos que transitaram do 5.º para o 6.º ano com a nota máxima de 5 nalguma disciplina. “Será que os desempenhos excelentes e as classificações 5 são também fenómenos efémeros e passageiros na evolução dos alunos? De modo geral, reconhecemos que não é assim”, sustenta a DGEEC no seu relatório. Os números revelam que cerca de 72% dos alunos com 5 a Ciências Naturais no 5.º ano conseguiram manter essa classificação no 6.º ano, enquanto cerca de 71% conseguiram um feito semelhante em História e Geografia de Portugal. “A disciplina de Português é aquela em que é mais raro obter-se, consistentemente, classificações máximas, sendo que, mesmo assim, 60% dos alunos com classificação 5 a Português, no 5.º ano, conseguiram repetir a proeza no 6.º ano”.

E o que acontece aos 10% alunos que chumbaram de ano no 2.º ciclo no ano letivo de 2014/2015? Regra geral, e segundo a DGEEC, as dificuldades escolares tendem a ser transversais a muitas disciplinas em simultâneo para quem chumba. Entre os alunos retidos no 5.º ano, cerca de 72% tiveram classificação final negativa a cinco ou mais disciplinas. Foram, portanto, alunos retidos com muitas negativas. No 6.º ano, a percentagem é menor, desce para os 49%. Outro facto relevante é que praticamente todos os alunos retidos no 2.º ciclo tiveram classificação negativa em Matemática. Dos alunos que chumbaram no 5.º e 6.º anos, 97% tiveram aproveitamento insuficiente em Matemática. “As percentagens de classificações negativas entre os alunos retidos são também muito elevadas – na casa dos 80% e 70% – em Português, Inglês e em História e Geografia de Portugal”.

Ainda dentro do grupo dos alunos que não conseguiram passar de ano, tentou-se perceber quantos conseguem recuperar as negativas, nas várias disciplinas, após a repetição do ano escolar. A maioria consegue passar de negativa para positiva após repetir o ano escolar, essa percentagem de recuperações situa-se entre os 60% e os 80%, dependendo da disciplina e do ano curricular. A exceção é, mais uma vez, Matemática, na qual a maioria dos alunos não conseguiu recuperar, mesmo após a repetição de um ano escolar completo. “De facto, em Matemática, menos de 40% conseguiram esta recuperação após o ano repetido. Esta observação suscita, com maior premência, a questão de perceber se a repetição do ano escolar será a forma mais eficaz de recuperar aproveitamentos escolares insuficientes, pelo menos na disciplina de Matemática”, repara a DGEEC.

Contexto económico influencia resultados

Uma vez mais, constata-se que os desempenhos escolares das raparigas são bastante superiores aos dos rapazes em praticamente todas as disciplinas do 2.º ciclo. Educação Física é a única exceção. Nas restantes, no 5.º e no 6.º anos, os resultados das raparigas são sempre mais elevados. E quando se mede a percentagem de alunos com aproveitamento insuficiente, o fosso entre rapazes e raparigas é mais evidente na disciplina de Português: 17% de negativas nos rapazes e 8% nas raparigas. “Quando medimos a percentagem de alunos com classificações elevadas – classificações de 4 ou 5 – as diferenças entre os dois sexos são mais notórias em Educação Visual, Educação Tecnológica, Educação Musical e Português”.

O contexto económico influencia as classificações em todas as disciplinas. Esta é outra conclusão da análise feita pela DGEEC quando se debruça sobre os apoios da Ação Social Escolar (ASE). Essa diferença é especialmente acentuada em disciplinas de teor mais académico como Matemática, Inglês, História e Geografia de Portugal, Português e Ciências Naturais. Apenas 16% dos alunos do 5.º ano sem apoios ASE tiveram classificação negativa a Matemática, percentagem que sobe para 44% de chumbos a essa disciplina por parte dos alunos que receberam apoios ASE do escalão A, o escalão mais alto. Nas restantes disciplinas de Educação Musical, Educação Visual, Educação Tecnológica e Educação Física as diferenças entre os três grupos de alunos são mais suaves.

Estudando as médias, os desvios-padrão e as correlações das classificações dos alunos nas várias disciplinas do 2.º ciclo, confirma-se que Matemática é a disciplina com classificações médias mais baixas e, além disso, é também a que tem maiores desigualdades de resultados entre alunos. O desvio, padrão das classificações é relativamente elevado também em Inglês e em História e Geografia de Portugal. No extremo oposto, surgem as disciplinas de Educação Física, Português, Educação Tecnológica e Educação Visual, nas quais os resultados dos alunos do 2.º ciclo tendem a ser mais homogéneos.

“De um modo geral, observamos correlações relativamente baixas entre as classificações das disciplinas mais práticas, como Educação Visual ou Educação Tecnológica, e as classificações das disciplinas mais académicas, como Ciências Naturais, Matemática ou Inglês, sendo esta divisão, na verdade, mais vincada do que a separação entre as disciplinas da área das Ciências e as da área das Letras”, refere a DGEEC.

Fonte. Educare