Alunos têm dificuldades em identificar Portugal no mapa, em saltar à corda, em conjugar verbos, em resolver problemas matemáticos. Relatório do IAVE – Instituto de Avaliação Educativa analisou provas de aferição feitas em 2016 e 2017 e concluiu que há matérias que têm de ser reforçadas na sala de aula.

As provas de aferição continuam no calendário. Esta sexta-feira de manhã, os alunos do 5.º ano realizaram a prova de aferição de Português, e na próxima terça-feira, 12 de junho, o 8.º ano de escolaridade tem teste de aferição a Matemática. O 2.º ano do 1.º ciclo ainda tem duas provas de aferição pela frente: a Português e Estudo do Meio no dia 15 e no dia 18 a Matemática e Estudo do Meio. Durante o mês de maio, o 2.º ano já fez as provas de Expressões Artísticas e Expressões Físico-Motoras, o 5.º ano, de Educação Musical e de Educação Visual e Educação Tecnológica, e o 8.º ano, de Educação Física e de Educação Visual. O Ministério da Educação continua a querer aferir conhecimentos dos alunos para perceber onde concentrar as atenções.

O relatório nacional das provas de aferição realizadas pelos alunos do Ensino Básico em 2016 e 2017 dá nota de várias dificuldades em diferentes áreas do conhecimento. O IAVE – Instituto de Avaliação Educativa analisou os resultados dessas provas, que não pesam na avaliação final, e tece algumas considerações tendo em conta o desempenho dos alunos nas disciplinas avaliadas.

No ano passado, na prova de Português do 2.º ano, os alunos tiveram menos dificuldades na interpretação do texto ouvido e mais dificuldades na localização da informação explícita. A maior parte dos alunos foi capaz de interpretar e relacionar ideias ou informações do texto, bem como interpretar expressões localizadas. Mas na gramática, há conhecimentos que não estão consolidados. Na identificação dos adjetivos, por exemplo, apenas 31% dos alunos conseguiram identificar corretamente dois e 56% deram uma outra resposta ou nem sequer responderam.

Na prova de Matemática, os alunos do 2.º ano mostraram que são capazes de reconhecer e ordenar os números naturais, mas as dificuldades aumentaram na resolução de problemas. Quarenta e oito por cento apresentaram uma estratégia adequada e 29% uma estratégia incompleta, e a percentagem de alunos que mobilizaram todos os conceitos e procedimentos necessários foi inferior a 50%.

Na prova de História e Geografia de Portugal do 2.º ciclo, também do ano passado, os alunos sentiram várias dificuldades. Apenas 55% conseguiram localizar Portugal continental no continente europeu. Apenas 28% conseguiram identificar o rio Mondego no mapa, enquanto 29% deixaram a resposta em branco e 42% responderam incorretamente. O Tratado de Tordesilhas também não está bem sabido, 65% dos alunos não tiveram sucesso em nenhum dos parâmetros avaliados no texto que tinham de escrever sobre o assunto. Perante o desempenho nesta prova, o IAVE aconselha a consolidar várias matérias.

Criatividade e saltar à corda  
Na prova de Matemática do 2.º ciclo, de 2017, os alunos manifestaram muitas dificuldades em todos os domínios curriculares e independentemente da complexidade cognitiva das tarefas. Dificuldades nos números e operações, nas frações, nos problemas, na geometria, na álgebra, na organização e tratamento de dados. Por exemplo, apenas 10% dos alunos conseguiram calcular, sem qualquer erro, a área do polígono apresentado no enunciado. E apenas 32% conseguiram calcular a amplitude de um ângulo envolvendo a bissetriz. O IAVE alerta para o reforço do trabalho que envolve conhecimentos de factos e procedimentos matemáticos, sobretudo na “compreensão de conceitos e na introdução progressiva de situações-problema que mobilizem a sua aplicação em contextos diferenciados”.

Os resultados da prova de Ciências Naturais e Físico-Química do 3.º ciclo, do ano passado, também revelam muitas dificuldades dos alunos, sendo, por isso, necessário reforçar e consolidar aprendizagens. Apenas 14% dos alunos conseguiram apresentar uma estratégia para determinar a distância de Marte ao Sol, apenas 10% aplicaram corretamente a proporcionalidade direta entre peso e massa para determinar o peso de um corpo, apenas 11% referiram duas condições necessárias à existência de vida.

Na prova de Português do 8.º ano, detetam-se algumas dificuldades na localização da informação explícita do texto, na identificação de recursos expressivos, na aplicação de conhecimentos gramaticais em contextos específicos de subordinação. E foram ainda detetadas lacunas ao nível das estratégias de redação de um texto argumentativo.

As atividades motoras dos mais novos são motivo de preocupação: 46% dos alunos do 2.º ano que fizeram a prova de Expressões Físicas e Motoras no ano passado não conseguiram dar seis saltos consecutivos no salto à corda, 40% não conseguiram dar uma cambalhota para a frente com a direção certa e pés juntos, e 31% tiveram dificuldades em participar num jogo coletivo.

Já na prova de Expressões Artísticas, não se verificaram grandes dificuldades. A modelagem de plasticina foi menos fácil para os alunos e no parâmetro da criatividade, em que tinham de mobilizar ideias originais para atribuir novas características aos objetos artísticos produzidos, cerca de 70% dos alunos demonstraram pensamento criativo. O IAVE sugere que a criatividade deve ser objeto de reforço na sala de aula, não só na Expressão e Educação Plástica como nas restantes áreas. “A análise dos resultados permite inferir que as aprendizagens realizadas em contexto formal nas aulas de EFM não esbatem o peso das aprendizagens informais”, conclui o IAVE.

Interpretar e relacionar

Em 2016, na prova de Português do 2.º ano detetaram-se bastantes dificuldades na inferência implícita a partir da leitura do texto. E verificou-se também que os alunos tiveram alguma dificuldade em interpretar o que ouvem e em relacionar o discurso oral com a sua representação através de imagens. Ainda nesta prova, na parte da gramática, 38% dos alunos trocaram nomes masculinos por femininos, e 25% não conseguiram colocar quatro palavras por ordem alfabética. Insistir na leitura do texto literário em contexto de sala de aula é uma das sugestões referidas pelo IAVE.

Na prova de Matemática do 2.º ano, de 2016, e perante os resultados, percebem-se algumas dificuldades relacionadas com o conhecimento do perímetro e a utilização correta dos termos da geometria, e sugere-se que os alunos devem continuar a ser confrontados com situações que permitam explorar o sinal de igual.

Na prova de Português do 5.º ano, os desempenhos foram mais fracos nas partes que exigiam a interpretação e a integração das ideias do texto. E a seleção e integração de informações apresentadas num texto não literário, de carácter expositivo, foram mais difíceis do que no caso de um texto literário. E 52% dos alunos não conseguiram conjugar corretamente os verbos “voar” e “cantar” no pretérito perfeito do indicativo. O que, para o IAVE, revela que a “aprendizagem das especificidades ortográficas das formas verbais não está consolidada”. Além disso, apenas 19% dos alunos indicaram corretamente as duas frases, de cinco apresentadas, em que a vírgula é usada para isolar o vocativo.

Na prova de Matemática do 5.º ano, de 2016, os resultados foram menos satisfatórios nos itens relacionados com conhecimentos e competências nas áreas de Geometria e Medida. Apenas 11% dos alunos conseguiram acertar na área do triângulo.

Os resultados do teste de Português do 8.º ano mostram alguma dificuldade na localização de informação pedida para a interpretação do sentido do texto. Há também dificuldades em analisar e avaliar recursos expressivos e a estrutura do discurso. Na prova de Matemática, do mesmo ano, os alunos tiveram várias dificuldades em todas as partes da prova e, segundo o IAVE, “a elevada percentagem de respostas incorretas e em branco registada em diversos itens leva a afirmar que será necessário reforçar e consolidar as diversas aprendizagens”.

Fonte: educare.pt