Estudantes que concluem o curso nos três anos previstos são 63% do total, mais dez pontos percentuais do que há quatro anos. Abandono escolar também foi reduzido.

Nunca houve tantos alunos do ensino profissional a concluir os seus cursos no tempo previsto. O indicador usado pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) para aferir o sucesso destes estudantes mede quantos completaram a formação nos três anos de duração. Em 2017/18, foram 63% do total de inscritos, mais dez pontos percentuais do que quatro anos antes.

Em 2017/18, o ano lectivo para o qual existem os dados mais actualizados – publicados num relatório da DGEEC editado no mês passado – cerca 19.500 estudantes do ensino profissional completaram a sua formação em três anos. Em 2014/15, tinham sido 15.600.

Os quase 19.500 alunos, correspondem a 63% dos inscritos no ensino profissional em 2017/18 – tendo entrado no curso em 2015/16. Em 2014/15, 53% dos estudantes tinham completado o curso em três anos. O número “tem vindo a aumentar gradualmente”, como sublinha o relatório da DGEEC.

O documento inclui apenas dados de quatro anos lectivos – entre 2014/15 e 2017/18 –, mas a investigadora da Universidade do Minho Fátima Antunes lembra que a retenção no ensino profissional tem tido uma “evolução positiva desde há mais de dez anos”, resultando agora na taxa de sucesso mais elevada de sempre. A especialista defende ainda que é preciso ler este aumento dos indicadores de sucesso num contexto em que os resultados também estão a melhorar nos cursos científico-humanísticos do ensino secundário, bem como no ensino básico.

Fátima Antunes entende que, também por isso, os alunos “chegam em melhores condições” ao ensino profissional e que o esforço que tem sido feito no apoio ao estudo e na promoção das condições de progressão dos alunos são também factores que têm que ser levados em consideração para entender a melhoria dos números.

“Os dados revelam melhorias muito significativas no ensino profissional”, valoriza o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, considerando-os “indicadores muito positivos da qualidade dos cursos profissionais, bem como da confiança e do reconhecimento” que estes merecem.

“Nunca é demasiado sublinhar que a valorização do ensino profissional implica fazer com que esta seja uma via de ensino com a mesma qualidade e em plena igualdade com as demais, sublinha ainda o governante, numa nota escrita enviada ao PÚBLICO.

O relatório da DGEEC destaca que o aumento das taxas de conclusão do ensino profissional no tempo normal “foi obtido, sobretudo, através de uma redução da percentagem de alunos que demora mais de três anos a concluir esta oferta de ensino”, isto é, através de um crescimento do sucesso escolar. A redução das taxas de abandono teve menos impacto nesta evolução positiva, nota também o documento.

Ainda assim, nos mesmos quatro anos, a taxa de abandono do ensino profissional baixou dois pontos percentuais. Em 2017/18, 12% dos alunos que tinham entrado numa destas formações três anos antes, abandonaram-nas sem conclusão.

Os indicadores publicados pela DGEEC são melhores nas escolas profissionais privadas do que nas públicas. Enquanto, na rede de escolas do Estado, 59% dos alunos completam o curso nos três anos previstos, no sector privado, esse valor é 10 pontos percentuais mais elevado.

 

Soldagem, Ferro, Trabalhador, Indústria, Aço, Soldador

Fátima Antunes lembra que a maioria das escolas profissionais privadas têm “mais candidatos do que vagas”, o que lhes permite fazer alguma selecção de alunos, mas não deixa de considerar que um “efeito de experiência” de cerca de 30 anos de ensino profissional privado pode garantir “um acompanhamento diferente dos estudantes.

Os dados agora publicados confirmam uma realidade que já tinha sido evidenciada no relatório do ano passado: os alunos que, no ensino básico, foram desviados para outras ofertas educativas, devido ao acumular de chumbos, são também os que têm menos sucesso nos cursos profissionais do ensino secundário.

Em sentido contrário, os alunos com melhores resultados são os que fizeram o percurso geral até ao 9.º ano: 72% conseguem concluir o curso profissional nos três anos esperados. Esse indicador reduz-se para 44% nos alunos que fizeram um curso vocacional no ciclo anterior e é ainda mais baixo (29%) para quem vem de um Curso de Educação e Formação (CEF).

Também os dados relativos ao abandono seguem a mesma tendência e, enquanto nos estudantes vindos do ensino básico geral, apenas 6% desistiram do curso profissional, três anos após a sua inscrição, entre os alunos com passado nos CEF, o abandono é de 37%.

O relatório apresenta os resultados de um esforço da DGEEC em seguir os alunos que ingressaram nos cursos profissionais, nos anos lectivos 2012/13 a 2015/16. “Para aumentar a consistência e facilidade de interpretação dos resultados”, apenas foram considerados os alunos que ingressaram nos cursos profissionais vindos directamente do ensino básico.

Samuel Silva

Fonte: https://www.publico.pt/

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