Ministro da Educação anuncia iniciativa nacional para a melhoria da Internet, poucos dias depois de o próprio sistema operativo existente nas escolas ter sido descontinuado.

O ministro da Educação anunciou nesta sexta-feira, no Parlamento, o lançamento de “uma iniciativa nacional para a melhoria da Internet nas escolas”, o que passará por dar “prioridade absoluta ao apetrechamento tecnológico e ao aumento e à melhoria dos equipamentos de computação”.

Foi o princípio de mais de cinco horas de audição no Parlamento, das quais mais de uma hora foram ocupadas pelos deputados para questionar o ministro sobre as obras das escolas dos distritos para onde foram eleitos. Isto apesar de se tratar da discussão na especialidade do Orçamento do Estado (OE) para 2020.

As escolas estão cheias de “tralha informática completamente obsoleta”,  acusou o deputado social-democrata António Cunha, em resposta à intervenção do ministro, cujo anúncio surgiu também na semana em que a Direcção-Geral da Administração Escolar (DGAE) assumiu o que há muito tem vindo a ser denunciado pelas escolas: a falta de professores de Informática. E que por essa razão autorizou que os directores entreguem as aulas de Tecnologias de Informação e Comunicação a professores sem habilitações académicas nesta área, bastando-lhes possuir “uma acção de formação”.

Falta de professores

“Nos anos 80 era normal recorrer a professores sem as habilitações suficientes porque a escola estava em expansão. Acontecer o mesmo em 2020 é um sinal de que a escola está em crise”, resumiu Joana Mortágua.

Escola a tempo inteiro

Por parte do PCP, Ana Mesquita lamentou que no OE para 2020 não figurem “medidas com o alcance” das adoptadas anteriormente, como é o caso da gratuitidade dos manuais escolares.

Tiago Brandão Rodrigues manifestou a este respeito o seu contentamento “por ver que o PCP” não apresenta aquela medida “como uma sua para todo o sempre”, algo de que tinha acusado anteriormente o BE: ouvindo Joana Mortágua “parece que todas as benfeitorias são obra do Bloco de Esquerda e que a senhora deputada me tinha a mim como um títere”

De regresso a Ana Mesquita, a deputada comunista manifestou ainda o receio de que a escola a tempo inteiro, agora também prometida para o 2.º ciclo, seja antes “a prisão da escola a tempo inteiro”, impedindo os alunos de terem “algo que é essência: o tempo para brincar”. E alertou o ministro para o “saque” das escolas públicas por parte da iniciativa privada.

“Não me vai dizer que eu tenho qualquer conluio com a iniciativa privada”, desabafou Tiago Brandão Rodrigues, que reconhece de seguida que há por parte de algumas empresas uma “tentativa de parasitação” das escolas públicas, mas que existem também casos de “simbiose” que são positivos.

Sobre a escola a tempo inteiro, o ministro da Educação lembrou que na anterior legislatura foram já dadas instruções às escolas para que “as Actividades de Enriquecimento Curricular sejam lúdicas”.

Na sua intervenção inicial, Tiago Brandão Rodrigues já referira também que a sua extensão ao 2.º ciclo, que começará por um projecto-piloto em dez agrupamentos, se destina também a permitir “uma melhor conciliação da vida escolar dos alunos com a vida profissional dos seus familiares”.

Amianto nas escolas

Uma pergunta comum a quase todas as bancadas foi a que diz respeito à retirada do amianto das escolas, mas o ministro da Educação não especificou quantas irão ser intervencionadas e quando.

Segundo o ministro, nos últimos quatro anos já terão sido investidos “mais de 700 milhões de euros” em obras em outras tantas escolas, que foram realizadas em conjunto “com mais de uma centena de autarquias”.

Fonte: https://www.publico.pt/

Clara Viana

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