Esta é a primeira vez que o Ministério da Educação pede um estudo nacional sobre a saúde psicológica e bem-estar da comunidade escolar.

Cerca de um terço dos alunos das escolas portuguesas tem sinais de sofrimento psicológico e défice de competências socioemocionais, um problema que se agrava com o avançar da escolaridade e afeta mais as raparigas, concluiu um estudo divulgado hoje, terça-feira.

O estudo “Observatório Escolar: Monitorização e Ação | Saúde Psicológica e Bem-estar” foi realizado este ano junto de 8.067 crianças e adolescentes que frequentam escolas portuguesas, desde o pré-escolar até ao 12.º ano.

“Penso que os alunos, tirando uma minoria, dentro de uns tempos estarão recuperados”, defendeu a coordenadora do estudo, Margarida Gaspar de Matos, da Equipa Aventura Social da Universidade de Lisboa.

Segundo os investigadores, os problemas de saúde mental agravam-se à medida que os alunos crescem, até chegarem ao 12.º ano, altura em que são relatados mais problemas.

Ao longo do percurso escolar surgem duas exceções, as crianças do 2.º ano e os jovens do 8.º, que aparecem também especialmente vulnerabilizadas.

Os estudantes do 5.º ano aparecem como os mais satisfeitos com a vida e com menos sintomas de mal-estar psicológico: São os mais otimistas, confiantes, com maiores índices de sociabilidade, criatividade, energia e menor ansiedade face aos testes.

Esta é a primeira vez que o Ministério da Educação pede um estudo nacional sobre a saúde psicológica e bem-estar da comunidade escolar que, segundo o ministro João Costa, passará a ser realizado periodicamente.

“É uma resposta a evidências [provas] científicas que nos dizem que o bem-estar se correlaciona muito positivamente com os resultados escolares dos alunos, com o seu desempenho académico e, por isso, não podemos deixar isto de foram da atividade da escola”, explicou João Costa.

No estudo, os investigadores procuraram identificar sintomas emocionais, problemas de comportamento, hiperatividade, problemas relacionados com os colegas, mas também comportamentos prossociais entre as crianças do pré-escolar e 1.º ciclo.

Após os inquéritos realizados com a ajuda de professores e educadores, concluíram que cerca de um quarto das crianças são irrequietas (23,2%) e distraem-se com facilidade (24,9%), mas 88,6% dizem ter pelo menos um bom amigo.

Entre os alunos mais velhos, mais de um quarto disse sentir tristeza (25,8%), irritação ou mau humor (31,8%) e nervosismo (37,4%) várias vezes por semana ou quase todos os dias. Embora a maioria refira que raramente ou nunca sente uma tristeza tão grande que pareça não aguentar (67,1%), quase um terço admitiu sentir essa tristeza pelo menos mensalmente (32,9%).

Na escala de perceção da qualidade de vida, sete em cada dez alunos (71,4%) disseram sentirem-se calmos e tranquilos pelo menos metade do tempo, mas quase metade (42,7%) admitiu que ficava muito tenso na altura dos testes.

Numa comparação entre géneros, os rapazes mostraram ter uma melhor perceção de bem-estar, satisfação com a vida e menor sintomatologia de mal-estar psicológico. Eles são mais otimistas, têm maior controlo emocional, mais confiança, sociabilidade, mas também sofrem mais de ansiedade face aos testes e são mais vezes vítimas de ‘bullying’.

Os investigadores defenderam por isso que as raparigas carecem de “atenção redobrada à medida que se avança na escolaridade”.

O estudo surgiu na sequência da pandemia de covid-19, precisamente para perceber o efeito na comunidade escolar, concluindo que um em cada três alunos considerou que a vida na escola piorou, um quinto achou que a vida com os amigos também ficou pior e 28,4% referiu que a vida consigo mesmo também se agravou. Já a vida em família manteve-se inalterada para a maioria (56,7%).

Para Margarida Gaspar de Matos, os resultados não são dramáticos: “Isto não é uma catástrofe nacional, é apenas um período de vulnerabilidade nacional”, defendeu a coordenadora do estudo, realizado em parceria pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), Direção-Geral da Educação (DGE), Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE), e com a colaboração da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) e Fundação Calouste Gulbenkian.

O estudo encontrou também diferenças por regiões: Entre os mais pequenos, foram identificados mais problemas nas escolas das regiões do Douro e Tâmega e Sousa, nomeadamente no que toca aos sintomas emocionais, problemas de comportamento e problemas de relacionamento com os colegas.

Entre os mais velhos, os alunos das escolas do Alentejo aparecem como sendo os mais satisfeitos com a vida, por oposição aos algarvios que são os que se sentem pior, com menos confiança, sociabilidade e menor índice de relações positivas com os professores.

Os alentejanos são os que têm perspetivas mais positivas e dos que menos sofrem com os testes, por oposição aos alunos do Algarve e Norte que sentem maior pressão com o aproximar das provas.

Metade dos professores em sofrimento

Cerca de metade dos professores abrangidos por este mesmo estudo acusa sinais de sofrimento psicológico, como tristeza, irritação ou dificuldades para adormecer.

“Pelo menos metade dos docentes acusa sinal de sofrimento psicológico em pelo menos uma das medidas consideradas”, conclui o estudo “Observatório Escolar: Monitorização e Ação | Saúde Psicológica e Bem-estar”, encomendado pelo Ministério da Educação, em que participaram 1.457 professores, na sua maioria mulheres (81,8%).

Apesar de o trabalho na escola ser motivo de satisfação para a maioria dos professores, o estudo indica, no entanto que são muitos os que se sentem nervosos, irritados ou de mau humor, havendo mesmo quem admita ter dificuldade em adormecer (48,5%).

Um em cada cinco professores (20%) disse sentir-se “tão triste que parece não aguentar”, segundo o trabalho realizado pela Equipa Aventura Social da Universidade de Lisboa, em parceria com a Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), Direção-Geral da Educação (DGE), Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE), e com a colaboração da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) e Fundação Calouste Gulbenkian.

Os investigadores concluíram que o ambiente da escola e a qualidade da gestão dos agrupamentos escolares parecem estar associados ao sofrimento psicológico dos docentes, uma situação também agravada pela idade e tempo de serviço.

A média de idades dos inquiridos foi de 51 anos e o tempo médio de serviço de 25,98 anos.

Os docentes com mais idade e mais tempo de serviço relatam menor qualidade de vida, mais sintomas de depressão e ansiedade, menor perceção de apoio por parte da direção do agrupamento e um ambiente escolar menos favorável.

“Os professores estão muitos doentes. A minha preocupação é muito com os professores, porque um professor perturbado com 30 alunos à frente não vai conseguir fazer um bom serviço nem para ele nem para os alunos”, disse a coordenadora do estudo, Margarida Gaspar de Matos.

Mais de metade dos docentes disse ter-se sentido nervoso (55,3%), triste (53,4%), irritado ou de mau humor (51,3%), com frequência semanal ou superior, nos últimos tempos.

No entanto, quando questionados sobre como se sentiam do ponto de vista da sua saúde psicológica no primeiro trimestre de 2022, mais de metade (54,6%) referiu uma satisfação com a vida igual ou superior a sete, numa escala em que zero representa “pior vida possível” e 10 “melhor vida possível”.

Sobre as últimas duas semanas antes da avaliação, mais de metade relatou ter-se sentido alegre e bem-disposto (61%), calmo e tranquilo (58,2%), ativo e enérgico (53,8%) pelo menos metade do tempo.

Mais de metade sentiu que realizou atividades de interesse (55,1%) pelo menos metade do tempo e mais de um terço (37,8%) disse ter acordado a sentir-se revigorado e descansado, pelo menos metade do tempo.

Já na semana anterior à avaliação, 72,5% apontaram dificuldades em relaxar, agitação (71,3%), queixaram-se de reagir de forma excessiva a determinadas situações (68,2%), sentiram-se demasiado suscetíveis ou irritáveis (65,9%).

Seis em cada dez disseram ter muita dificuldade em ter iniciativa para fazer coisas (60,1%), sentimentos de tristeza ou depressão (60%), sentirem que estavam a utilizar muita energia nervosa (59,1%) e dificuldade em acalmar-se (53%).

A maioria dos professores reconheceu o trabalho feito pela direção escolar, dizendo que esta apoia a manutenção de um ambiente de partilha e colaboração, inovação, diálogo e bem-estar assim como coesão na escola.

“Cerca de oito em cada 10 docentes refere estar satisfeito, no geral, com o seu trabalho na escola (78,5%) e mais de metade dos docentes refere ainda estar satisfeito com as oportunidades de desenvolvimento profissional contínuo no âmbito da promoção do desenvolvimento socioemocional e do bem-estar (54,1%)”, lê-se no estudo.

Segundo os professores, quase todas as escolas promoveram práticas para as competências socioemocionais e projetos para o desenvolvimento das competências sociais e emocionais.

Sobre o impacto da pandemia, mais de metade considerou que a sua vida ficou pior ou muito pior com os amigos (70,1%) e na escola (68,6%).

Na vida em família, cerca de metade refere que ficou na mesma e um pouco menos de metade 46% refere que ficou pior com a pandemia.

Olhando para as diferenças por regiões, a área metropolitana de Lisboa (à exceção dos níveis de stresse) e a zona Norte parecem privilegiadas em relação aos indicadores de saúde psicológica dos professores, enquanto a zona sul (Alentejo) aparece globalmente com uma situação menos favorável.

O Algarve e o Norte foram as regiões com melhores indicadores de um bom ambiente na escola, enquanto o Alentejo apresenta globalmente com uma situação menos favorável.

No entanto, a um nível mais pormenorizado de indicadores na região Norte, que aparecia beneficiada, surgem “focos problemáticos”, enquanto no Alentejo, que era penalizado, emergem situações muito favoráveis.

Para os investigadores este é também um sinal da importância do ambiente da escola e da qualidade da gestão da escola na saúde psicológica dos docentes.

 

Fonte: https://www.dn.pt/

A importância de brincar está consagrada no sétimo dos dez princípios dos Direitos das Crianças, declarados, em 1959, pela Organização das Nações Unidas (ONU): “o direito à educação gratuita e ao lazer infantil”. Mas, hoje em dia, o “lazer infantil” parece estar meio adormecido. Entre a escola, trabalhos de casa, natação, ginástica ou outros desportos, mais as aulas de música e o inglês, o espaço para brincar tem sido relegado para segundo plano.

Alguns pais ainda não entenderam a importância de brincar para o desenvolvimento dos filhos. Talvez por acharem que é uma perda de tempo… Mas não podiam estar mais enganados. De acordo com os autores do estudo “The Power of Play”, publicado na revista Pediatrics, brincar promove as “capacidades socioemocionais, cognitivas, de linguagem e de autorregulação que constroem a função executiva e um cérebro pró-social”. Esta afirmação ganha ainda mais força quando os pais, ou outras crianças, se juntam à brincadeira. Afinal, brincar é mais do que lazer; é uma mais-valia para o desenvolvimento dos mais pequenos. Por isso, leia este artigo, desligue o computador e vá brincar com os seus filhos.


A importância de Brincar

Enquanto brinca, a criança não está apenas a entreter-se ou a divertir-se. Ela está também a melhorar a sua estrutura e a função do cérebro, assim como a promover a função executiva (o processo de aprendizagem), que permite perseguir objetos e ignorar distrações.

No mesmo estudo, os autores referem que as crianças humanas nascem imaturas, quando comparadas com outras espécies. Só após o nascimento é que ocorre um desenvolvimento cerebral maior. Tal faz com que as crianças sejam totalmente dependentes dos pais para regular os ritmos de sono-vigília, alimentação e outras interações sociais. Mas ao brincar, a criança cria mais facilmente independência e autorregulação.

Benefícios de brincar

Os benefícios de brincar prendem-se não só a nível emocional como cognitivo. Daí a importância de brincar na vida dos mais pequenos. E os pais devem também participar nas brincadeiras dos filhos. Deste modo, não só a ligação afetiva entre eles aumenta, como a criança aumenta o seu interesse e motivação, enquanto desenvolve várias capacidades. Indicamos-lhe algumas vantagens de brincar:

Estimula a criatividade e a imaginação

Ler uma história, brincar com bonecas ou montar um brinquedo é um desafio para a criatividade e imaginação da criança. Experimente oferecer-lhe caixas e baldes para que ela puxe pela sua imaginação e veja em meros objetos um brinquedo novo.

Permite um melhor autoconhecimento

Brincar num ambiente seguro é essencial. Mas é também importante que a criança tenha liberdade para descobrir o mundo a andar, a correr, a desequilibrar-se ou mesmo a cair. Desta forma, ela conhece melhor o seu corpo e entende quais são os seus limites. Que tal um jogo da apanhada?

Ensina a negociar

É essencial ao longo da vida e em diversas situações. Ao brincar com os colegas, existe, quase sempre, a necessidade de resolver problemas, como, por exemplo, na definição das regras de um novo jogo. Tal implica negociação com os seus pares, situação que vai repetir-se ao longo da vida.

Auxilia o sistema imunitário

Jogar à apanhada, às escondidas, aos polícias e ladrões ou mesmo ao jogo da macaca são exemplos de brincadeiras que exigem atividade física. Brincar nestes moldes ajuda a prevenir o excesso de peso, além de ter vantagens para o sistema imunitário, endócrino e cardiovascular.

Melhora a saúde mental

A importância de brincar prende-se, também, com o bem-estar mental das crianças. Ao brincarem, os mais pequenos estão a prevenir doenças como a depressão.

Estimula a atenção

No estudo “The Power of Play”, os autores referem outros trabalhos nos quais se conclui que as crianças prestam mais atenção às aulas depois de um recreio de brincadeiras livres, do que se tiverem, por exemplo, atividades de educação física mais estruturadas.

Promove a interação social

A importância de brincar com outras crianças ou com adultos é que estas brincadeiras promovem a interação social. Desta forma, enquanto brinca, a criança aprende a ouvir, a partilhar, a respeitar e a entender as diferenças das pessoas em relação a si. Assim, a criança está a ser preparada para viver em sociedade.

Ensina a incorporar regras

As brincadeiras também têm regras e limites. Ao lidar com elas, a criança aprende a respeitá-las e, usando-as em conjunto com os outros, aprende onde começam os seus limites e os dos outros, um fator essencial para se viver em sociedade.

Desenvolve o raciocínio

Em determinadas brincadeiras e jogos, as crianças deparam-se com problemas que têm de ser resolvidos para que as mesmas prossigam, o que as obriga a pensar e a raciocinar para encontrar uma solução.

Ensina a lidar com a frustração

           A importância de brincar é que, ao fazê-lo, a criança não só se diverte como vai ganhando capacidades emocionais. Quando perde um jogo com um colega, ou o grupo de amigos não quer brincar àquilo que sugeriu, a criança tem de saber lidar com frustração que daí advém. E só o consegue se se adaptar às circunstâncias. Desta forma, vai tornando-se mais resiliente, pois aprende a lidar com as suas deceções e, assim, enfrentar as adversidades.

Aumenta a capacidade de trabalhar em equipa

            É uma característica muito importante, sobretudo na área laboral. Saber interagir com os outros e relacionar-se é algo que pode ser aprendido mesmo enquanto se brinca. Experimente um jogo de futebol, uma corrida de estafetas ou outra atividade coletiva. Não só vai divertir os mais pequenos, como também lhes vai ensinar a importância de trabalhar em equipa.

Fonte: https://www.medis.pt/

Ninguém sabe muito bem, até porque esse tipo de conclusão é muito difícil de fazer de forma clara.

Numa altura em que os valores da Família e Compaixão são calados diariamente, faz algum sentido pensar um pouco no que se está a passar e, acima de tudo, perceber que soluções temos para oferecer…

O Pediatra Hugo Rodrigues, do blog Pediatria para Todos, fala-nos sobre as dificuldades na gestão familiar e como podem elas ter, nas crianças, reflexos pouco benéficos.

Até porque a O.M.S. define a saúde não apenas como a ausência de doenças, mas sim como o completo bem-estar físico, psicológico e social e, numa conversa com Fátima Lopes, no podcast Momento a S.O.S, Hugo traz-nos um testemunho que confirma exatamente isso.

Podem ouvir esta troca super interessante no Spotify, entre outras plataformas, ou assistir à conversa no YouTube!

 

Por que razão os casos de depressão estão a aumentar na idade pediátrica?

Há, obviamente, alguns factores que podem justificar esse aumento, nomeadamente:

  • pouco tempo que os pais passam com os filhos, fruto de condições profissionais complicadas, o que condiciona o suporte e acompanhamento de que as crianças necessitam para crescer saudáveis, equilibradas e seguras
  • aumento do número de divórcios e uniões pouco “funcionais”, pois quando não há harmonia em casa torna-se mais difícil manter a estabilidade emocional;
  • desemprego e pouco poder económico, que preocupa os pais e, consequentemente, acaba por “contagiar” também os filhos (a “crise” não é culpada de tudo, mas pode efectivamente agravar estas situações);
  • pressão escolar exagerada, com múltiplos exames, trabalhos de casa, explicações, …;
  • estas situações são muito variáveis, mas não nos podemos esquecer que todas as pessoas precisam de algum tempo para si e as crianças e os adolescentes muito mais; é preciso brincar, sorrir, pensar, sem ter tarefas em cima de tarefas e preocupações em cima de preocupações e, infelizmente, hoje em dia as nossas crianças têm muito pouco tempo para elas, para serem efectivamente crianças;
  • maior exposição dos adolescentes nas redes sociais, o que os torna mais vulneráveis a todo o tipo de agressões e intromissões na sua vida privada (por pessoas estranhas ou até próximas).

Estes são apenas alguns exemplos de factores que claramente influenciam o equilíbrio emocional da nossa população pediátrica, mas certamente há mais para discutir.

No entanto, gostaria também de acrescentar um outro factor, que é o facto de os profissionais de saúde estarem também mais alerta para estes diagnóstico, o que terá implicação, obviamente, no maior numero de diagnósticos que se fazem.

Filipa Santos Lopes                                                       

Fonte: https://pumpkin.pt/

Desde a primeira infância que é verdade que a criança mais saudável, mais autónoma, mais harmoniosa emocionalmente, mais apta sociavelmente, mais exploradora, é aquela que circula num ambiente relacional seguro.


Dita a natureza do desenvolvimento humano, que a adolescência seja uma fase da exploração e experimentação desenfreada, balizada pelos princípios da realidade. Com mais ou menos rebeldia. Com limites mais ou menos rígidos.

Os jovens constroem a sua identidade no terreno: com experimentação, nas interacções sociais, e com a ingenuidade que lhes é característica e necessária. Com rebeldia, oposição e separação psíquica das figuras de referência, por muito que isto desagrade a família. Este processo será tão facilitado, quanto mais seguro forem os contextos onde se inserem, quão mais forem inclusivos e heterogéneos, quão mais livres neles se sentirem, com regras que os orientem, que os responsabilizem, que os tornem seres adaptados, e que impeçam quedas estrondosas desnecessárias. Mas tantas farão parte, tantas serão peças chave da sua construção, mesmo debaixo do olhar aflito dos adultos próximos.

Os pais devem dedicar-se à árdua tarefa de interiorizar que os filhos são caóticos e imaturos, mas que são mais resistentes do que aparentam. Tal como quando eram bebés e assistiram com surpresa — e algum terror — à sua robustez quando foram manuseados por médicos e enfermeiros, quando os pais iam jurar (jurar!) que eles eram feitos de cristal.

 Desde a primeira infância que é verdade que a criança mais saudável, mais autónoma, mais harmoniosa emocionalmente, mais apta sociavelmente, mais exploradora, é aquela que circula num ambiente relacional seguro. É a criança que internamente tem “carimbada” a sensação e a ideia de que os pais/adultos são figuras consistentes e inabaláveis, que o ambiente é previsível, que é constante e que é de amor e cuidado. Sempre. Mesmo nos dias maus. E é com esse “carimbo” que lê os ambientes novos e as novas relações, com as nuances necessárias.

Os adolescentes são uma versão (muito) avançada da criança, com tarefas essenciais à elaboração identitária de esmagadora complexidade, tais como a construção da identidade sexual, aquisição de sentido crítico, separação psíquica das figuras parentais, amadurecimento das relações e do esquema psicoafectivo, etc… Por outras palavras, é como se a sua biologia e a sua psique lhes gritassem em coro: “Agora façam-se gente!” Sabemos que este processo é influenciado pelos modelos parentais e dinâmicas familiares, bem como pelos contextos escolares e de ocupação de tempos livres onde circulam, dimensões essas pautadas de forma importante por variáveis socioeconómicas.

Contrariamente à criança, o adolescente projecta-se e liga-se ao mundo onde vive. Um mundo que extravasa os núcleos conhecidos. O jovem é convidado a situar-se a si na escala global. Os jovens de hoje, a que mundo se vão ligar? Quão seguro, expectável, ou aterrador ele é?

As alterações e a crise climática são responsáveis por um novo tipo de sofrimento psicológico — a ansiedade climática —, exclusivo desta geração e que garantidamente acompanhará as próximas. É também exclusiva desta geração a vivência de uma pandemia que forçou à privação dos contextos naturais de desenvolvimento, numa etapa primordial de construção e elaboração de si, e que implicou, obrigatoriamente, não só sofrimento psicológico — como à restante população —, mas que, mais do que isso, se traduziu em lacunas e carências de desenvolvimento significativas.

Esta mesma geração, já fragilizada, encara agora o drama da Guerra na Ucrânia. É verdade que esta guerra não é, infelizmente, a primeira da sua geração, mas será naturalmente a mais impactante pela proximidade geográfica e sociocultural. O terror, a falta de previsibilidade sobre o meio, a sensação de impotência, a desesperança e a ansiedade são sensações que daqui podem advir. Os jovens terão de explorar, e de se projectar, num mundo que não é sentido como seguro e isso trará limitações à sua experiência de construção individual.

É dever de todos olharmos para os adolescentes com esta compaixão, atenção e amor. Como será, igualmente importante mantermos presentes a ideia de que se estão a construir para serem adultos, sendo fundamental mantermos uma vigilância continuada sobre nós próprios, para não cairmos em abordagens de infantilização ou hiperprotecção — que podem ser muito sedutoras —, mas que os tornarão menos aptos, mais inseguros, mais dependentes, menos inteligentes emocionalmente e forçosamente menos felizes. Trata-se de um malabarismo complexo, mas necessário. Cabe aos adultos o papel de conter e proteger, mas também de responsabilizar. De os incluir na resolução dos problemas e de os expor ao sofrimento necessário.

Uma atenção redobrada à sua saúde mental é imperativa, criando-se activamente espaço para diálogo, comunicação de emoções, identificação de necessidades e, desde logo, intervenção em conformidade. Esperemos que, com isto, se tornem a geração mais resiliente dos últimos tempos.

Ana Rita Almeida

Fonte: https://www.publico.pt/

 

Atualmente há cada vez mais crianças a perder os hábitos e rotinas saudáveis, o que é bastante prejudicial para a sua qualidade de vida, visto que um dos principais fatores para que tenham excesso de peso é o sedentarismo e a falta de atividade física.


O papel dos pais e da escola é muito importante para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional da criança, contribuindo para uma melhor qualidade de vida e evitar o aparecimento de doenças futuras, tais como obesidade, diabetes, problemas cardíacos ou depressões.

O hábito de passear, praticar alguma modalidade física ou realizar certas brincadeiras que faziam parte da infância dos pais e avós, tais como jogar à apanhada, saltar à corda ou jogar à macaca, acabaram por cair no esquecimento.

Hoje em dia, a faixa etária mais jovem tem como opção a inatividade física, ficando em casa a jogar videojogos, a ver televisão ou estar ao computador e ao telemóvel. Este tipo de atividades não contribui em nada para um estilo de vida e rotina saudáveis.

Os benefícios do exercício físico nas crianças

  • Ajuda a desenvolver a comunicação e interação social;
  • Aumenta a concentração e atenção durante as aulas;
  • Melhora a capacidade emocional, ajudando a libertar o stress;
  • Melhora a qualidade de vida e saúde, prevenindo futuras patologias;
  • Ajuda a adquirir uma estrutura corporal mais forte (coração, músculos e articulações);
  • Aumenta a auto estima.

A importância e o papel dos pais na prática da atividade física

É importante que as crianças sintam e tenham o apoio dos seus familiares enquanto se dedicam a determinada atividade física, seja ela qual for.

A interação entre pais e filhos durante a prática deste tipo de atividades melhora a relação de confiança, empatia emocional e eleva a sua auto estima, ajudando dessa maneira a tornar a criança mais autónoma, sociável, responsável e confiante. Esta é sempre uma boa opção para mudar a rotina tanto das crianças como dos adultos. Eis alguns exemplos de atividades nas quais crianças e adultos podem e devem interagir:

– Jogar futebol a partir dos cinco/seis anos até idade ilimitada;

– Programar um dia de família e amigos e praticar saltos em trampolins, atividade que pode ser praticada dos seis anos até à fase adulta;

– Um simples passeio onde possa caminhar. É ótimo para descontrair, conviver e conversar;

– Numa faixa etária menos avançada, existem várias brincadeiras que pode fazer, como por exemplo, saltar à corda, jogar ao berlinde ou brincar às escondidas; 

Existem muitas formas de promover a prática de atividade física entre crianças e adultos.  

Mantenha as suas crianças ativas.

Cátia Ramos

Fonte: https://lifestyle.sapo.pt/

 

Para muitos jovens, a conclusão do 9.º ano de escolaridade representa a primeira grande escolha escolar significativa. Apesar de não ser uma decisão irreversível é, pelo menos, vinculativa e representa o início da construção de um projeto de vida.


Ainda sou muito novo e já tenho de decidir que área e curso escolher.” Este é um lamento que muitos jovens fazem quando chega a hora de se matricularem no 10º ano. Sentem que é um momento decisivo no seu percurso académico e receiam fazer uma escolha errada.

Escolher implica sempre abdicar de algo e pode tornar-se uma fonte de ansiedade. Tendo em conta a fase de desenvolvimento em que os jovens se encontram no 9.º ano, esta escolha é frequentemente influenciada pelo grupo de amigos ou pelas expectativas ou profissões dos familiares.

O final do 9ºano é o início de um percurso vocacional e pessoal em construção. Há a necessidade de contruir projetos de vida realistas, em que as capacidades e gostos deverão caminhar lado a lado com o delinear gradual dos projetos profissionais.


O que se deve ter em conta para uma melhor escolha?

O ponto principal é descobrir mais sobre si próprio. Olhar não apenas as notas, mas também para os hobbies, atividadese projetos que gostam ou gostaram de fazer e até asdisciplinas que acham mais interessantes. Por exemplo, se o aluno gosta de atividades ao ar livre, se gosta de estar com outras pessoas, de resolver problemas, etc.

Para além dos traços de personalidade, convém também olhar para as suas competências. Por exemplo, se o aluno tem facilidade em trabalhar em equipa, se é mais criativo ou lógico… Quando falamos de competências, incluímos também as chamadas soft skills, como resiliência, liderança ou comunicação.

O facto de não ser particularmente bom aluno a uma disciplina não tem de ser um impedimento para optar por determinada área – como não ter bons resultados a Matemática mas querer seguir Ciências. Com muito trabalho e ajuda (ex. explicadores) pode-seultrapassar essas dificuldades.

Porque é tão difícil escolher o caminho para o secundário?

O medo do investimento em algo considerado difícil, o mito da “escolha certa” ou as dificuldades escolares sentidas nas disciplinas consideradas mais importantes no curso ambicionado podem estar na base das inquietações dos jovens.

Por vezes, os interesses dos jovens são tão diversificados que acentuam a dificuldade da sua escolha. Por outro lado, a ausência desses interesses também dificulta o investimento numa área, podendo levar a uma escolha ao acaso.


O que existe depois do 9.º ano?

É importante que o jovem disponha de informações sobre os vários cursos universitários que lhe pareçam interessantes e até profissões. A escolha da área no 10º ano, apesar de não ser irreversível ou determinante no curso universitário que poderá vir a frequentar, é um primeiro passo.

Atualmente, a oferta formativa no final do 3.º ciclo, assim como em momentos posteriores, é diversificada. É fundamental que o jovem detenha informação global sobre todos os tipos de cursos existentes, para ser capaz de escolher e se projetar no futuro, definindo gradualmente a sua identidade profissional.

As quatro grandes áreas do Secundário:

  • Ciências e Tecnologias
  • Ciências Socioeconómicas
  • Línguas e Humanidades
  • Artes Visuais

Na página da Direção-Geral de Educação, encontram-se todas as informações sobre planos de estudos e as disciplinas que constituem a componente geral e específica de cada área.

Cursos técnico-profissionais
Ainda há a ideia de que os cursos técnico-profissionais são indicados para os alunos menos habilitados, mas isso é um mito. Se um jovem gostar de atividades mais práticas e técnicas, se gosta de ‘pôr a mão na massa’, estes cursos podem ser uma boa opção. E muitos deles oferecem boas oportunidades no mercado de trabalho. Além disso, se no 12º ano, o jovem decidir que quer prosseguir os estudos para a universidade, pode também fazê-lo.

Porquê pesquisar sobre cursos e profissões?

Muitas vezes, os jovens têm uma ideia um pouco errada sobre determinadas profissões, logo convém recolherem o máximo de informação. Mas há que ter cuidado porque, por exemplo, as séries da televisão e as redes sociais nem sempre mostram como as coisas são realmente.

Podem tentar informar-se falando com pessoas que tenham uma profissão que lhes pareça interessante, sejam familiares ou amigos dos pais; frequentar workshops e atividades que algumas universidades organizam durante o verão. A Internet é uma fonte muito útil para a recolha de informação, mas é importante que o jovem seja acompanhado na procura e análise da mesma.

Quando procurar ajuda profissional?

Caso o jovem, no final do 9.º ano ou em qualquer outra etapa vocacional, se mostre confuso ou não seja capaz de fazer as suas escolhas com suficiente segurança e tranquilidade emocional, será importante procurar ajuda especializada.

O psicólogo, com domínio da área da orientação escolar e profissional, não intervém no sentido de indicar a escolha ideal, mas orienta a exploração vocacional, proporcionando atividades de reflexão e favorecendo a integração da informação, tendo em vista uma escolha segura, fundamentada e a promoção do investimento nessa mesma escolha, em prol de um projeto vocacional. Desta forma, no complexo labirinto da vida vão-se escolhendo, conscientemente, os caminhos a seguir.

A área Meu Futuro da Escola Virtual pode também auxiliar neste processo de escolha.

Fontes: https://visao.sapo.pt/visaojunior/ e https://www.portoeditora.pt/

 

Notícias sobre o início de uma guerra percorrem televisões, jornais e internet… Como abordar o assunto com os mais novos?

Há assuntos que um pai ou uma mãe preferia não ter de abordar nunca com os seus filhos. Embora a tentação natural possa ser proteger a criança da informação difícil que circula, esta percorre diversos canais que estão acessíveis aos mais novos. Nesse sentido, a vontade de privar as crianças de certas notícias é praticamente impossível de concretizar. O tema é muito sensível, mas é uma oportunidade de explorar valores familiares e individuais que partilham e que procuram ter presente nas vossas vidas e relações e uma oportunidade de explorar formas construtivas de resolução de conflitos. A informação sobre a guerra que se iniciou acabará por chegar às crianças e é juntos dos pais que irão procurar encontrar respostas para as suas dúvidas e receios e serão justamente os pais as melhores fontes de informação e de segurança.

Seguem algumas dicas para abordar o assunto:

Dê espaço e tempo para a criança colocar as suas questões. Não fuja dos assuntos, dizendo que são coisas de adultos que ela não perceberá. Pelo contrário, mostre-se disponível para ouvir e dar resposta. Opte por tentar saber o que a criança já sabe, o que pensa sobre o assunto e o que gostaria de saber. Desta forma, terá oportunidade de fornecer a informação que a criança precisa, não a sobrecarregando com aspetos sobre os quais não está alerta ou interessado. Assim, poderá ajustar linguagem e conteúdo às necessidades da criança e ao seu nível de desenvolvimento.

Esteja atento às suas próprias emoções e verbalizações, por exemplo quando comenta uma notícia que está a ver ou ler. A criança sintoniza emocionalmente com os seus adultos significativos e, nesse sentido, respostas emocionais exacerbadas de extrema revolta ou de medo acentuado, poderão gerar insegurança nos mais pequenos.

Quando a criança expressa o que sente procure validá-la. Medo poderá ser a emoção dominante. Nunca minimize ou ridicularize um medo da criança. É natural que sintas algum receio e que tenhas dúvidas. Para os adultos também é difícil encontrar respostas para a acontecimentos desta natureza. Ajude a criança a encontrar pistas/provas na realidade que a ajudem a sentir-se segura face à realidade de guerra que observa noutros países. Tal não significa, não empatizar com o sofrimento de quem a vive de perto. Falem sobre o que sentem. Todas as emoções são válidas.

Ajude a criança a sentir-se segura. Mantendo as suas rotinas habituais, filtrando a informação e as imagens a que tem acesso e mantendo as portas aos diálogo sempre abertas.

Face ao impacto emocional que notícias com este tipo de conteúdos pode ter nas crianças, fique atento a possíveis mudanças comportamentais que possam surgir e que remetam para alguma dificuldade de gestão emocional que a criança esteja a experienciar: dificuldade a adormecer, pesadelos, ansiedade, maior dependência do adulto, evitamento de certos locais, etc…

O tema da guerra pode constituir uma oportunidade para adultos e crianças falarem sobre valores como o respeito, a tolerância, a solidariedade, a assertividade… A má notícia pode ser um início de uma conversa sobre os bons valores!

O tema é sensível. Não há respostas inteiramente verdadeiras e que possam funcionar de igual forma com todas as crianças. De qualquer modo, a forma como aborda o assunto será a chave para a forma como o seu filho lida com ele.

Inês Afonso Marques

Fonte: https://www.oficinadepsicologia.com/

Distribuir os testes no tempo ajuda a aprender factos e conceitos e a aplicá-los. Uma meta-análise recente defende a utilização destas estratégias de aprendizagem e sugere que não importa se o tempo que decorre entre testes se mantém estável ou se vai aumentando até ao teste final, o importante é que os momentos de teste sejam separados no tempo.

Distribuir estudo e prática de recuperação (testes) no tempo beneficia a aprendizagem, mas haverá melhores e piores soluções? Num artigo recente, Alice Latimier, Hugo Peyre e Franck Ramus, da Universidade de Paris, publicaram uma meta-análise de estudos que analisaram os benefícios educacionais de espaçar episódios de prática recuperada. A conclusão é que espaçar a recuperação do mesmo conteúdo aumenta a aprendizagem, independentemente de como se planeia esse espaçamento.

Que a prática de recuperação — testar a informação a ser aprendida — beneficia a aprendizagem é já uma ideia bem estabelecida. Meta-análises recentes mostraram que esta estratégia beneficia a aprendizagem de temas complexos, tanto em salas de aula como no laboratório, e em vários níveis de ensino e áreas de estudo. Se à prática de recuperação aliarmos a distribuição dos momentos de recuperação no tempo, isto é, se introduzirmos intervalos entre os testes sobre conteúdo semelhante, em vez de estudar ou testar o conteúdo em massa, a prática de recuperação parece tornar-se ainda mais poderosa.

Uma das razões apontadas para o êxito do espaçamento é o aumento da dificuldade de recuperação: isso leva a que o aluno tenha de fazer um esforço maior para se lembrar do conteúdo a ser aprendido, o que, por sua vez, torna a sua recuperação mais ativa, ajudando-o a lembrar melhor o conteúdo e a criar mais ligações entre conteúdos, melhorando a compreensão. Outra das razões poderá ser a mudança de contextos (estados mentais, ambiente, etc.) nos quais acontece a recuperação. Espaçar cria, pois, mais pistas de recuperação que podem ser utilizadas no futuro.

Apesar destes benefícios bem estabelecidos, havia ainda duas questões que urgia esclarecer:

  1. quais os benefícios de espaçar a prática de recuperação?
  2. será melhor expandir o espaçamento (aumentar o espaçamento progressivamente até ao teste final, por exemplo: os testes sobre o mesmo conteúdo são inicialmente espaçados um dia, depois uma semana, depois um mês) ou manter um espaçamento uniforme (por exemplo, todos os testes espaçados uma semana)?

Foi precisamente para responder a estas questões que Latimier e os seus colegas fizeram esta meta-análise. Para maximizar a relevância dos seus resultados em contextos educacionais, os autores focaram-se apenas em estudos com estímulos semânticos e verbais (incluindo problemas de matemática) e excluíram estudos que envolviam perceção ou motricidade. Depois de pesquisarem nas bases de dados de artigos científicos os artigos publicados até 2017 que incluíam manipulações de espaçamento e permitiam responder às questões referidas, Latimier e os colegas conseguiram incluir na sua meta-análise 29 estudos. Destes, extraíram 39 comparações de interesse relativas à primeira questão e 54 relativas à segunda.

Os resultados obtidos indicaram que espaçar a prática de recuperação resulta nitidamente em maior aprendizagem do que aplicar a prática de recuperação em massa (com um efeito agregado médio considerado elevado), mas que não existem diferenças entre expandir ou uniformizar o espaçamento. No entanto, Latimier e os colegas analisaram também os fatores que podem contribuir para diferentes resultados do espaçamento. Esta análise revelou que, quando os participantes eram expostos mais de quatro vezes ao mesmo conteúdo a ser aprendido, expandir o espaçamento era ligeiramente mais benéfico do que mantê-lo uniforme. Os resultados de ambas as análises não foram influenciadas por outros fatores, como o nível de educação dos participantes, o tipo de testes utilizados, a existência de feedback ou o tipo de material a aprender.

O que significam estes resultados na prática? Testar alunos com frequência e espaçar temporalmente a sua exposição aos mesmos conteúdos ou testes parece ser uma estratégia poderosa para aumentar a aprendizagem. Não será tão importante como se promove esse espaçamento. No entanto, os autores deste estudo chamam a atenção para a necessidade de fazer mais experiências com diferentes espaçamentos entre episódios — quer de estudo, quer de teste —, para avaliar se há tipos de espaçamento mais benéficos do que outros. Para já, parece que, desde que haja espaçamento, poderá beneficiar-se a aprendizagem.

Autora: Ludmila Nunes

Fonte: https://www.iniciativaeducacao.org/pt

Escolher uma ou algumas resoluções de Ano Novo ajuda as crianças a estabelecerem metas e trabalharem para alcançá-las. As resoluções podem ser grandes ou pequenas e devem ser focadas nos objetivos e desejos pessoais da criança. Ajudar o seu filho a criar os seus próprios objetivos é uma ótima maneira de criar vínculos e apoiar seu desenvolvimento.

Como os pais podem ajudar com resoluções

Procure ser um bom modelo e siga as mesmas diretrizes para as próprias resoluções que estabeleceu para os seus filhos. Em seguida, ajude as crianças a escrever e escolher uma resolução apropriada. Se você ou seu filho não conseguirem atingir as metas que estabeleceram, aproveite esta oportunidade para falar com eles sobre ser flexível, alterar metas e a importância de dar o melhor de si.

Intrínseco vs. Extrínseco

É melhor ensinar o seu filho a estabelecer metas que tenham algum significado intrínseco. Com objetivos intrínsecos, pode haver um impulso maior para alcançá-los e um melhor sentimento de orgulho e realização, porque o objetivo é realmente significativo para eles. Essa é uma grande habilidade para ser levada até à vida adulta, por isso encontre o máximo de oportunidades que puder para ensiná-los a criar metas pessoais, significativas e com propósito.

Como escrever uma resolução

As resoluções de Ano Novo das crianças devem vir das suas próprias ideias e seguir algumas diretrizes simples:

  • Ser positivo – algo que se vai fazer em vez de algo que se vai parar de fazer.
  • Ser realista – estabeleça metas que possam ser alcançadas durante o ano, para que não fique dececionado.
  • Menos é mais – Escolha apenas um ou dois objetivos para não ficar sobrecarregado.
  • Dividir – divida a sua resolução em etapas mais pequenas para ser mais fácil alcançá-la.
  • Agende um check-in – Defina um ou vários horários de check-in em datas específicas para que não se esqueça de acompanhar o seu progresso.

Atividades de resolução para famílias

Depois de decidir a sua resolução, trabalhe em conjunto para criar exibições visuais que o manterão focado durante todo o ano.

  • Usar Layouts e gráficos de resolução de ano novo para acompanhar a resolução de cada membro da família e seu progresso ao longo do ano.
  • Peça aos filhos que enviem um cartão de ano novo aos avós para compartilhar as suas resoluções.
  • Crie artesanato de véspera ou após ano novo (ex. biscoito da sorte) para ter ideias de resolução. Cada membro da família pode escolher um biscoito da sorte e usar a sua nota como resolução.

Ideias de resolução para idades de 5 a 7 anos

As crianças nesta faixa etária devem ser capazes de debater as suas próprias ideias com um pouco de ajuda e escrevê-las. Se o seu filho tiver dificuldades, sinta-se à vontade para dar alguns exemplos de alguns objetivos simples.

  • Escrever uma carta por mês a um membro da família que não more na mesma casa.
  • Passar 15 minutos por dia a ler com uma pessoa ou um animal na sua casa.
  • Doar um brinquedo velho a cada mês.
  • Fazer um elogio a cinco pessoas diferentes todas as semanas.
  • Brincar com cada brinquedo que possui pelo menos uma vez durante o ano.
  • Doar todas as peças de roupa que não use durante seis meses.
  • Inventar um novo jogo e jogar com sua família.
  • Começar um desporto.
  • Começar um diário de gratidão e escrever duas coisas pelas quais é grato todos os dias.
  • Fazer ioga infantil todas as manhãs antes da escola.
  • Oferecer um desenho a alguém todos os meses.

Ideias de resolução para idades dos 8 aos 10

As resoluções das crianças mais velhas podem ser mais focadas, abstratas e podem estender-se para fora de si mesmas.

  • Sentar-se ao lado de alguém diferente no almoço a cada dia/semana.
  • Ajudar a fazer o jantar uma vez por semana.
  • Escolher um autor e ler todos os livros que ele escreveu.
  • Saber mais sobre dez figuras históricas das quais nunca ouviu falar.
  • Começar um clube (ex. desenho, desporto…)
  • Escrever cartas para os seus atletas ou celebridades favoritas.
  • Assistir a um programa que os pais assistiram quando eram crianças.
  • Designar um dia por semana sem ecrãs.
  • Abrir uma conta poupança para as crianças e definir uma meta de economia.

Ideias para Resoluções Familiares

Se tem filhos de várias idades, considere a criação de resoluções familiares em que todos terão que trabalhar juntos. Definir metas familiares pode ser uma ótima maneira de se conectarem e apoiarem uns aos outros.

  • Fazer uma noite de jogo em família na última sexta-feira de cada mês.
  • Jantar com os avós uma vez por semana.
  • Criar um álbum de fotos ou de recortes dos melhores momentos da família durante o ano.
  • Secretamente, fazer uma coisa boa por outro membro da família todas as semanas
  • Deixar uma nota motivacional em casa, onde todos possam ver todas as semanas.

 

Fonte: veganapati.pt

 

 

 

 

 

Os pais são um pilar base na vida dos filhos e o mesmo acontece em relação à escola e ao seu sucesso escolar. Existem variadas atitudes que pode ter para ajudar o seu filho a ter uma boa relação com a escola e a potenciar o seu sucesso académico. Damos alguns exemplos que consideramos importantes:

1. Fale com o seu filho diariamente sobre a escola: Esta é uma forma do seu filho perceber que a escola e o que lá se passa é importante. Mas é necessário ter disponibilidade para ouvir com atenção o que a criança/jovem tem a dizer, mantendo o contacto ocular e evitando realizar outras tarefas durante a conversa. Ao mostrar-se interessado, o seu filho à partida, também terá mais interesse pela escola.

2. Transmita que com esforço se consegue alcançar mais, mas estabeleça expectativas realistas e razoáveis sobre o desempenho escolar: Dizer à criança/jovem que acredita nas suas potencialidades é a melhor forma de transmitir confiança ao seu filho. Deve reforçar os esforços positivamente, elogiando as conquistas alcançadas e o esforço feito. Lidar com as dificuldades de uma forma positiva também é importante, analisando os fracassos em conjunto e que soluções poderão implementar para ultrapassar as dificuldades.

3. Insista na organização: Ajude o seu filho a organizar o estudo e a gerir o seu tempo. Ensine-o a usar tabelas para os testes, horários com tarefas escolares e extracurriculares, listas onde constem os TPC’s. Uma simples lista de tarefas diária ajuda a priorizar tarefas e a saber o que tem de fazer naquele dia. Fale também sobre a importância de ter o espaço de estudo arrumado e os cadernos organizados.

4. Ensine competências de estudo: Desde cedo é importante ensinar estratégias de estudo e responsabilizar o seu filho pelas suas aprendizagens. Saber as tarefas e datas de testes, dividir tarefas complexas em tarefas mais simples, dividir grandes grupos de informação em tópicos mais pequenos, saber quanto tempo deve dedicar ao estudo das diferentes disciplinas e fazer apontamentos são alguns pontos base. Claro que tudo isto deve ser adaptado à idade e dificuldades do aluno. Outra dica importante, devem ser feitas pausas regulares nos períodos de estudo pois ajuda no processamento da informação e haver tempo dedicado a atividades de lazer.

5. Transmita o valor da assiduidade e pontualidade: Evite que o seu filho falte à escola ou se atrase. Obviamente que em casos em que a criança/ jovem esteja doente, tenho uma consulta ou em casos muito especiais possa faltar, mas não deve ser frequente nem a norma. Se houver faltas é importante pedir ajuda a professores ou colegas para ter a matéria e trabalhos de casa em dia. Às vezes é importante perceber porque é que o seu filho não quer ir à escola (situações com os colegas ou professores, ansiedade com testes ou apresentações…) que podem mesmo causar sintomas físicos (dores de barriga, de cabeça…). Nesses casos é importante falar com o seu filho e perceber o que se passa e qual poderá ser a solução para o problema. Os professores e psicólogos da escola também podem ajudar.

6. Esteja em comunicação com a escola: Ir às reuniões de pais, conhecer o espaço escolar, visitar as plataformas digitais e ter informação sobre as atividades, calendário de testes, etc. é importante. Os alunos com melhor relação com a escola são os que os pais se envolvem mais na sua vida escolar. As reuniões de pais e individuais são, em especial, importantes porque é uma forma de comunicação direta com os professores acerca do desempenho escolar do seu filho e onde se pode discutir as estratégias mais adequadas. Comunicar à criança/jovem o que se passou nessas reuniões também é uma forma de transparência na comunicação familiar e de não “haver segredos”. Também deve envolver-se nas atividades/eventos escolares que tenham a colaboração de pais, na medida em que isso funcione bem para si e para o seu filho, sem que essa presença seja desconfortável para ele.

7. Conheça os Regulamentos da escola: É importante que os pais e crianças/jovens conheçam esses regulamentos, pois são documentos onde constam os comportamentos esperados e indesejáveis dos alunos, as sanções e as regras. Se os alunos conhecerem o que é esperado deles no contexto escolar, menor é a probabilidade de se meterem em problemas.

8. Insista num bom pequeno-almoço: Começar o dia com uma refeição nutritiva é importante. Os alunos que têm um bom pequeno-almoço têm mais energia, mais concentração, melhor capacidade de memória. Se houver atrasos e não for possível tomar o pequeno-almoço, mande snacks saudáveis e nutritivos.

9. Insista numa boa noite de sono: É necessário dormir o suficiente para ter um dia produtivo e conseguir estar concentrado nas aprendizagens. É importante ter uma rotina ao deitar, desligando estímulos antes de dormir (ex. internet, jogos, telemóveis…). A maior parte das crianças e jovens em idade escolar necessita de dormir 9 a 12h por noite e a privação de sono pode levar a falta de atenção nas aulas, irritabilidade e agitação.

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