Escolher uma ou algumas resoluções de Ano Novo ajuda as crianças a estabelecerem metas e trabalharem para alcançá-las. As resoluções podem ser grandes ou pequenas e devem ser focadas nos objetivos e desejos pessoais da criança. Ajudar o seu filho a criar os seus próprios objetivos é uma ótima maneira de criar vínculos e apoiar seu desenvolvimento.

Como os pais podem ajudar com resoluções

Procure ser um bom modelo e siga as mesmas diretrizes para as próprias resoluções que estabeleceu para os seus filhos. Em seguida, ajude as crianças a escrever e escolher uma resolução apropriada. Se você ou seu filho não conseguirem atingir as metas que estabeleceram, aproveite esta oportunidade para falar com eles sobre ser flexível, alterar metas e a importância de dar o melhor de si.

Intrínseco vs. Extrínseco

É melhor ensinar o seu filho a estabelecer metas que tenham algum significado intrínseco. Com objetivos intrínsecos, pode haver um impulso maior para alcançá-los e um melhor sentimento de orgulho e realização, porque o objetivo é realmente significativo para eles. Essa é uma grande habilidade para ser levada até à vida adulta, por isso encontre o máximo de oportunidades que puder para ensiná-los a criar metas pessoais, significativas e com propósito.

Como escrever uma resolução

As resoluções de Ano Novo das crianças devem vir das suas próprias ideias e seguir algumas diretrizes simples:

  • Ser positivo – algo que se vai fazer em vez de algo que se vai parar de fazer.
  • Ser realista – estabeleça metas que possam ser alcançadas durante o ano, para que não fique dececionado.
  • Menos é mais – Escolha apenas um ou dois objetivos para não ficar sobrecarregado.
  • Dividir – divida a sua resolução em etapas mais pequenas para ser mais fácil alcançá-la.
  • Agende um check-in – Defina um ou vários horários de check-in em datas específicas para que não se esqueça de acompanhar o seu progresso.

Atividades de resolução para famílias

Depois de decidir a sua resolução, trabalhe em conjunto para criar exibições visuais que o manterão focado durante todo o ano.

  • Usar Layouts e gráficos de resolução de ano novo para acompanhar a resolução de cada membro da família e seu progresso ao longo do ano.
  • Peça aos filhos que enviem um cartão de ano novo aos avós para compartilhar as suas resoluções.
  • Crie artesanato de véspera ou após ano novo (ex. biscoito da sorte) para ter ideias de resolução. Cada membro da família pode escolher um biscoito da sorte e usar a sua nota como resolução.

Ideias de resolução para idades de 5 a 7 anos

As crianças nesta faixa etária devem ser capazes de debater as suas próprias ideias com um pouco de ajuda e escrevê-las. Se o seu filho tiver dificuldades, sinta-se à vontade para dar alguns exemplos de alguns objetivos simples.

  • Escrever uma carta por mês a um membro da família que não more na mesma casa.
  • Passar 15 minutos por dia a ler com uma pessoa ou um animal na sua casa.
  • Doar um brinquedo velho a cada mês.
  • Fazer um elogio a cinco pessoas diferentes todas as semanas.
  • Brincar com cada brinquedo que possui pelo menos uma vez durante o ano.
  • Doar todas as peças de roupa que não use durante seis meses.
  • Inventar um novo jogo e jogar com sua família.
  • Começar um desporto.
  • Começar um diário de gratidão e escrever duas coisas pelas quais é grato todos os dias.
  • Fazer ioga infantil todas as manhãs antes da escola.
  • Oferecer um desenho a alguém todos os meses.

Ideias de resolução para idades dos 8 aos 10

As resoluções das crianças mais velhas podem ser mais focadas, abstratas e podem estender-se para fora de si mesmas.

  • Sentar-se ao lado de alguém diferente no almoço a cada dia/semana.
  • Ajudar a fazer o jantar uma vez por semana.
  • Escolher um autor e ler todos os livros que ele escreveu.
  • Saber mais sobre dez figuras históricas das quais nunca ouviu falar.
  • Começar um clube (ex. desenho, desporto…)
  • Escrever cartas para os seus atletas ou celebridades favoritas.
  • Assistir a um programa que os pais assistiram quando eram crianças.
  • Designar um dia por semana sem ecrãs.
  • Abrir uma conta poupança para as crianças e definir uma meta de economia.

Ideias para Resoluções Familiares

Se tem filhos de várias idades, considere a criação de resoluções familiares em que todos terão que trabalhar juntos. Definir metas familiares pode ser uma ótima maneira de se conectarem e apoiarem uns aos outros.

  • Fazer uma noite de jogo em família na última sexta-feira de cada mês.
  • Jantar com os avós uma vez por semana.
  • Criar um álbum de fotos ou de recortes dos melhores momentos da família durante o ano.
  • Secretamente, fazer uma coisa boa por outro membro da família todas as semanas
  • Deixar uma nota motivacional em casa, onde todos possam ver todas as semanas.

 

Fonte: veganapati.pt

 

 

 

 

 

Os pais são um pilar base na vida dos filhos e o mesmo acontece em relação à escola e ao seu sucesso escolar. Existem variadas atitudes que pode ter para ajudar o seu filho a ter uma boa relação com a escola e a potenciar o seu sucesso académico. Damos alguns exemplos que consideramos importantes:

1. Fale com o seu filho diariamente sobre a escola: Esta é uma forma do seu filho perceber que a escola e o que lá se passa é importante. Mas é necessário ter disponibilidade para ouvir com atenção o que a criança/jovem tem a dizer, mantendo o contacto ocular e evitando realizar outras tarefas durante a conversa. Ao mostrar-se interessado, o seu filho à partida, também terá mais interesse pela escola.

2. Transmita que com esforço se consegue alcançar mais, mas estabeleça expectativas realistas e razoáveis sobre o desempenho escolar: Dizer à criança/jovem que acredita nas suas potencialidades é a melhor forma de transmitir confiança ao seu filho. Deve reforçar os esforços positivamente, elogiando as conquistas alcançadas e o esforço feito. Lidar com as dificuldades de uma forma positiva também é importante, analisando os fracassos em conjunto e que soluções poderão implementar para ultrapassar as dificuldades.

3. Insista na organização: Ajude o seu filho a organizar o estudo e a gerir o seu tempo. Ensine-o a usar tabelas para os testes, horários com tarefas escolares e extracurriculares, listas onde constem os TPC’s. Uma simples lista de tarefas diária ajuda a priorizar tarefas e a saber o que tem de fazer naquele dia. Fale também sobre a importância de ter o espaço de estudo arrumado e os cadernos organizados.

4. Ensine competências de estudo: Desde cedo é importante ensinar estratégias de estudo e responsabilizar o seu filho pelas suas aprendizagens. Saber as tarefas e datas de testes, dividir tarefas complexas em tarefas mais simples, dividir grandes grupos de informação em tópicos mais pequenos, saber quanto tempo deve dedicar ao estudo das diferentes disciplinas e fazer apontamentos são alguns pontos base. Claro que tudo isto deve ser adaptado à idade e dificuldades do aluno. Outra dica importante, devem ser feitas pausas regulares nos períodos de estudo pois ajuda no processamento da informação e haver tempo dedicado a atividades de lazer.

5. Transmita o valor da assiduidade e pontualidade: Evite que o seu filho falte à escola ou se atrase. Obviamente que em casos em que a criança/ jovem esteja doente, tenho uma consulta ou em casos muito especiais possa faltar, mas não deve ser frequente nem a norma. Se houver faltas é importante pedir ajuda a professores ou colegas para ter a matéria e trabalhos de casa em dia. Às vezes é importante perceber porque é que o seu filho não quer ir à escola (situações com os colegas ou professores, ansiedade com testes ou apresentações…) que podem mesmo causar sintomas físicos (dores de barriga, de cabeça…). Nesses casos é importante falar com o seu filho e perceber o que se passa e qual poderá ser a solução para o problema. Os professores e psicólogos da escola também podem ajudar.

6. Esteja em comunicação com a escola: Ir às reuniões de pais, conhecer o espaço escolar, visitar as plataformas digitais e ter informação sobre as atividades, calendário de testes, etc. é importante. Os alunos com melhor relação com a escola são os que os pais se envolvem mais na sua vida escolar. As reuniões de pais e individuais são, em especial, importantes porque é uma forma de comunicação direta com os professores acerca do desempenho escolar do seu filho e onde se pode discutir as estratégias mais adequadas. Comunicar à criança/jovem o que se passou nessas reuniões também é uma forma de transparência na comunicação familiar e de não “haver segredos”. Também deve envolver-se nas atividades/eventos escolares que tenham a colaboração de pais, na medida em que isso funcione bem para si e para o seu filho, sem que essa presença seja desconfortável para ele.

7. Conheça os Regulamentos da escola: É importante que os pais e crianças/jovens conheçam esses regulamentos, pois são documentos onde constam os comportamentos esperados e indesejáveis dos alunos, as sanções e as regras. Se os alunos conhecerem o que é esperado deles no contexto escolar, menor é a probabilidade de se meterem em problemas.

8. Insista num bom pequeno-almoço: Começar o dia com uma refeição nutritiva é importante. Os alunos que têm um bom pequeno-almoço têm mais energia, mais concentração, melhor capacidade de memória. Se houver atrasos e não for possível tomar o pequeno-almoço, mande snacks saudáveis e nutritivos.

9. Insista numa boa noite de sono: É necessário dormir o suficiente para ter um dia produtivo e conseguir estar concentrado nas aprendizagens. É importante ter uma rotina ao deitar, desligando estímulos antes de dormir (ex. internet, jogos, telemóveis…). A maior parte das crianças e jovens em idade escolar necessita de dormir 9 a 12h por noite e a privação de sono pode levar a falta de atenção nas aulas, irritabilidade e agitação.

Be Smart With Us

 

Num período de pandemia, sabemos que de nada adianta incentivar um discurso de demonização quanto ao uso de dispositivos eletrónicos por parte dos jovens (sobretudo smartphones e tablets). Em 2020 e 2021, foi inevitável reconhecer a importância deste recurso para apoiar a aprendizagem e fornecer mais oportunidades de interação social. Porém, a relação do tempo de ecrã com o sono nunca foi positiva: a utilização destas tecnologias está associada ao sono interrompido e à pior qualidade do sono nos adolescentes. Dois trabalhos de revisão recentes, liderados por Mari Hysing e Lauren Hale, indicam que 90% dos estudos encontraram ligação entre o uso de ecrãs e o atraso na hora de dormir e/ou a diminuição do tempo total de sono.

Atualmente, o uso de dispositivos eletrónicos é muito frequente nos adolescentes, quer durante o dia, quer na hora de ir dormir. Os dados de antes da pandemia indicavam que três em cada quatro adolescentes americanos, entre 15 e 17 anos, levavam algum tipo de tecnologia para o quarto antes de adormecer. Segundo um estudo de Cristina Ponte e Susana Batista, em Portugal são os adolescentes nestas idades que passam mais tempo por dia na internet, atingindo as quatro horas diárias.

A disrupção do ritmo circadiano

Sabemos que o ciclo de sono-vigília segue um ritmo circadiano que se orienta principalmente com as pistas externas dadas pela luz solar. Quando escurece, o corpo inicia um processo de preparação para produzir a hormona do sono (melatonina), que induz naturalmente a sonolência. Porém, a luz artificial pode baralhar este sistema regulatório interno. De acordo com Patricia L. Turner e Martin A. Mainster, as crianças e os adolescentes podem ser mais sensíveis aos efeitos da luz azul (emitida especialmente pelos smartphones) pelo facto de os seus olhos captarem mais luz. Outros dois estudos, de Milena Foerster e Michael O. Mireku, verificaram que o sono sofre um maior prejuízo quando os adolescentes usam ecrãs num quarto escuro, porque em condições de baixa luminosidade as pupilas dilatam-se e deixam passar mais a luz azul.

A importância do momento da exposição ecrãs

Um trabalho recente levado a cabo no Brasil, de Maria Luiza Cruz de Oliveira e outros quatro investigadores, mostra que os adolescentes que usam ecrãs excessivamente antes de dormir têm menores níveis de atenção. Isto sugere que a exposição a dispositivos eletrónicos à noite pode afetar a capacidade de aprendizagem logo na manhã seguinte. Nesta investigação fizeram-se perguntas sobre o uso de ecrãs e os hábitos de sono a 89 adolescentes com idade média de 15 anos, e 51% relataram usar um smartphone antes de dormir nos dias de semana.

Este grupo de adolescentes realizou também uma tarefa para testar a atenção pela manhã. Embora o tempo de ecrã antes de dormir não pareça ter um efeito relevante nos padrões de sono relatados pelos adolescentes, o mesmo não acontece com a atenção matinal, que sofreu um impacto negativo. Observaram-se tempos de reação mais lentos e períodos de atenção sustentada menos estáveis pela manhã naqueles que relataram maior exposição a ecrãs antes de dormir. Os investigadores concluíram que os resultados podem estar relacionados com a privação de sono ou a má qualidade do sono.

Tempo biológico versus tempo social

Uma investigação recente liderada por Joseph Firth indica que os efeitos gerados no cérebro pelo uso de ecrãs são ainda difíceis de decifrar, na medida em que existe uma interação complexa entre diferentes fatores, incluindo o sono, o tipo de utilização destes dispositivos, os níveis de interação social e a atividade física. Apesar desta incerteza, investigadores como Gopal K. Singh e Mary Kay Kenney defenderam que os crescentes dados sobre a exposição noturna a ecrãs nos permitem compreender por que motivos os problemas do sono em adolescentes aumentaram nas últimas décadas. O uso abusivo dos aparelhos eletrónicos na altura de ir dormir pode resultar de uma resposta natural à diminuição de sono que é sentida, frequentemente, neste período do desenvolvimento. Porém, esta forma de adiamento da hora de deitar contribui para que o sono do adolescente se torne ainda mais irregular e curto.

A dessincronização do relógio biológico, bem identificada no período da adolescência, é um padrão típico que continua a suscitar discussão quanto às incompatibilidades entre o tempo biológico e o tempo social. O uso de ecrãs vem agudizar este cenário, aumentando de forma crítica o défice de sono nestas idades.

Ao estudar o comportamento do adolescente, devemos ter em conta que estes dispositivos móveis são uma parte importante da sua vida diária, quer para atividades escolares como de socialização ou entretenimento. Independentemente das regras que os pais possam estabelecer em casa, todos estes estudos recentes mostram a relevância de informar os jovens sobre os prejuízos que podem sentir logo pela manhã e de os incentivar a evitar o uso de smartphonestablets e computadores no período antes de dormir.

                                                                                                                                                                              Joana Rato

Fonte: https://www.iniciativaeducacao.org/pt

Este discurso altamente ideológico ignora, no entanto, o efeito positivo, e muito bem fundamentado, do docente no rendimento dos alunos e dá às tecnologias um poder gigantesco, que não fora ainda observado. Para alguns, o ensino a distância será mesmo o método a adotar no futuro, substituindo a escola física.

A escola virtual existe nos Estados Unidos da América há já duas décadas. O que sabemos, pois, dos efeitos deste ensino no rendimento dos alunos em contexto não pandémico?

A escola virtual antes da pandemia

Vários estudos comparam o rendimento dos alunos em ensino exclusivamente a distância com o dos que frequentam uma escola tradicional, ou seja, presencial.

June Ahn e Andrew McEachin mostraram, em 2017, os efeitos negativos das escolas virtuais na aprendizagem dos alunos do ensino básico e secundário. Estes efeitos registaram-se na matemática (−0,41 de desvio-padrão nos alunos mais fracos e −0,30 de desvio-padrão nos mais fortes) e também na leitura (−0,26 de desvio-padrão nos alunos mais fracos e −0,10 de desvio-padrão nos mais fortes).

Dois anos antes, o Centro de Investigação em Resultados Educativos da Universidade de Stanford comparava o rendimento dos alunos de 158 escolas virtuais pertencentes a 17 estados norte-americanos e ao distrito de Colúmbia com o dos alunos das escolas tradicionais. Concluiu-se que os alunos em escolas virtuais obtêm resultados inferiores na matemática e na leitura do que os alunos em escolas tradicionais (desvio-padrão de −0,10 a −0,39).

Carycruz Bueno analisou, já em 2020, o desempenho de mais de 100 000 alunos que frequentaram escolas virtuais do estado norte-americano da Geórgia, no período entre 2007 e 2016. Segundo esta investigadora, «a frequência de uma escola virtual a tempo inteiro resulta numa redução estatisticamente significativa de 0,1 a 0,4 de desvio-padrão nas disciplinas de inglês, matemática, ciências e estudos sociais nos alunos do ensino primário, assim como nos do ensino básico ou do ensino secundário». Sublinha igualmente que «frequentarem uma escola virtual a tempo inteiro está associado a uma redução de 10% da probabilidade de obter um diploma de conclusão do ensino secundário».

Também nos Estados Unidos, Brian R. Fitzpatrick e a sua equipa analisaram os resultados escolares de alunos do 3.º ao 8.º ano de escolas do estado do Indiana num período de sete anos (2010-2017). A análise incidiu em cerca de 2000 alunos brancos de meios mais favorecidos e com resultados escolares geralmente elevados antes de serem admitidos numa escola virtual. O efeito da frequência do ensino online foi profundamente negativo. Nas matemáticas, tiveram uma redução no rendimento de −0,41 de desvio-padrão no primeiro ano após a transferência. Os efeitos tornaram-se um pouco mais negativos no segundo ano (−0,48 de desvio-padrão) e agravaram-se ainda mais no terceiro ano (−0,50 de desvio-padrão). O mesmo acontece na aprendizagem da leitura. Imaginemos, pois, os efeitos da escola virtual no rendimento dos alunos em dificuldades ou em risco, provenientes de meios desfavorecidos.

Uma nova análise às escolas virtuais realizada por Curran A. Prettyman e Tim R. Sass indica que, «no global, os resultados da aprendizagem virtual comparativamente aos da aprendizagem presencial são pouco promissores. As escolas que funcionam totalmente online apresentam, por norma, ganhos na aprendizagem claramente inferiores aos das escolas físicas».

Os confinamentos e o ensino a distância

Numa análise realizada por nós próprios, em 2021, a 19 estudos sobre os efeitos do primeiro confinamento e do ensino virtual no rendimento escolar de cerca de 13 milhões de alunos de escolas primárias e secundárias de vários países do mundo (Inglaterra, Austrália, Bélgica, Canadá, Estados Unidos da América, França e Países Baixos), verificámos uma tendência para resultados negativos na leitura, com maior impacto na matemática, em alunos que frequentaram o ensino a distância durante o primeiro confinamento, sobretudo no ensino primário. Nos alunos em risco, como nos outros, estes desvios parecem ser maiores mesmo num país como os Países Baixos, dos mais bem preparados para alternar o ensino a distância com o ensino presencial. Num dos estudos que examinámos, estima-se uma perda média de cinco a nove meses de aprendizagem até junho de 2021. No caso dos mais vulneráveis, o atraso pode rondar 6 a 12 meses.

Seria perfeitamente lógico antecipar efeitos semelhantes, ou seja, mais negativos no rendimento dos alunos em pandemia partindo dos estudos que demonstram as consequências negativas das escolas virtuais no rendimento dos alunos em contexto não pandémico. (Não esqueçamos que a grande maioria dos estudos só analisou os efeitos após o primeiro confinamento.) Em abril de 2021, muitos países tinham vivido entre dois e quatro confinamentos desde o início da pandemia. Assim, os confinamentos sucessivos poderão, sem dúvida alguma, motivar resultados ainda mais negativos nas crianças.

Além disso, é importante realçar que os confinamentos sucessivos entre o inverno de 2020 e a primavera de 2021 resultaram em múltiplas consequências psicossociais negativas nas crianças que frequentam creches e escolas primárias, e mesmo nos adolescentes do ensino secundário: ansiedade, depressão, dificuldades de concentração, isolamento social e diminuição da atividade física. O sono das crianças e dos adolescentes também parece ter sido perturbado. Os jovens adultos de nível pós-universitário parecem viver sensivelmente as mesmas dificuldades que os mais novos. Os efeitos negativos da pandemia em variáveis além das escolares — ansiedade, sentimentos depressivos, etc. — podem divergir entre países, o que parece dever-se ao grau de confinamento imposto e ao stresse parental.

Em resumo, os efeitos da escola virtual, seja ou não em tempos de pandemia, são geralmente negativos. Ainda assim, caso uma emergência implique encerrar as escolas, consideramos ser claramente preferível disponibilizar o ensino a distância aos alunos para que a escola mantenha um contacto mínimo com as crianças.

Ensinar a distância com as escolas encerradas

É preciso garantir um ensino a distância de grande qualidade caso as escolas encerrem. Isto significa que o ensino virtual deve distanciar-se das pedagogias geralmente associadas às tecnologias. Segundo Daisy Christodoulou, «a tecnologia foi utilizada para introduzir cada vez mais pseudociências na profissão de docente». Ora, é preciso transferir para a formação a distância os elementos cruciais de um ensino eficaz em modo presencial. Os estudos sobre o ensino eficaz demonstraram mais de 50 anos de efeitos benéficos do ensino direto, sistemático e explícito no rendimento escolar de todos os alunos, com impacto ainda maior nos alunos com dificuldades ou em risco.

Independentemente do que defendem os apóstolos da tecnologia, a escola do século XXI deve basear-se no ensino presencial. O ensino a distância utilizar-se-á sobretudo em caso de encerramento dos estabelecimentos de ensino e em contextos de emergência. Para ser eficaz, deve afastar-se das práticas pseudocientíficas de natureza construtivista e basear-se apenas em práticas fundamentadas em dados comprovados, para bem de todas as crianças.

    Steve Bissonnette e Christian Boyer

Fonte: https://www.iniciativaeducacao.org/pt

 

Os nossos filhos não são imunes ao medo e ao pânico que se tem gerado ao seu redor.

Como está a correr a sua semana até agora? Até que ponto está a conseguir lidar com as notícias acerca do coronavírus?

Todas as crianças têm perguntas, mas se tem uma criança com um temperamento sensível ou propenso à ansiedade, estes momentos podem ser especialmente desafiadores.


Ainda não temos uma noção clara da expressão do coronavírus no nosso país, mas sabe-se que as crianças e jovens saudáveis podem lidar facilmente com o vírus e recuperar rapidamente. Isto significa que os pais podem dar um suspiro de alívio. Mas é igualmente importante relembrar que os nossos filhos não são imunes ao medo e ao pânico que se tem gerado ao seu redor. Assim sendo, é da nossa responsabilidade, como pais e adultos, comunicar aos nossos filhos o que se passa de forma a mantê-los seguros e tranquilos.

Como falar às crianças acerca do coronavírus?

  1. Procure tranquilizar-se e esclarecer-se acerca do tema para fornecer informações verdadeiras e claras, adaptadas à compreensão do seu filho. As crianças são verdadeiras esponjas e vão valorizar muito mais os sinais que der do que o seu discurso.
  2. Quando falar com o seu filho sobre o assunto, pergunte-lhe o que já ouviu falar sobre o tema, para que possa partir desse ponto e esclarecer eventuais receios e informações enganosas.
  3. Use as conversas com seu filho como uma oportunidade para o tranquilizar e dar informações apropriadas à idade. Acima de tudo, deverá securizar o seu filho dizendo-lhe que está ali para o proteger, que os adultos estão a tratar de tudo. Explique que precisamos de nos manter saudáveis para não ficar vulneráveis ao vírus, dormir e comer bem, e, claro, lavar as mãos. É tudo o que a criança precisa de saber. Nunca a deixe na incerteza, mais vale responder “não sei, mas é uma boa questão e vamos descobrir a resposta”. Todo o ser humano tolera mal o desconhecido e as crianças não são excepção.
  4. Por favor, evite ter a televisão ligada quando estão a dar notícias relativas ao coronavírus, estas vão deixar o seu filho com uma sensação de insegurança devido à sua dificuldade em processar a informação.
  5. Ensine a correcta higienização e explique o papel dela na prevenção. Ensine ao seu filho que o vírus espalha-se pelo ar em pequenas gotículas respiratórias que ficam no ar e podem viver na pele, tecidos e outras superfícies. Esses vírus podem infectar as outras pessoas se entrarem nos olhos, nariz ou boca. Já agora, nós tocamos na nossa cara cerca de 25 vezes por hora! Por isso, se temos os vírus nas mãos, não é difícil imaginar que eles entram no nosso corpo.
  6. Esteja consciente de que o seu filho pode ter receio que os pais morram. Prepare o discurso no sentido de tranquilizar esse receio, dizendo-lhe que este vírus causa a morte apenas em populações mais frágeis.
  7. Prepare-se para lidar com reacções de medo do seu filho, umas mais óbvias do que outras (pesadelos, andar mais agarrado e mais exigente, fazer mais birras). Um discurso simples, divertido e libertador dos medos e com dicas importantes poderá ajudar os pais.
  8. Aproveite o tempo em que o seu filho está em casa para passar tempo em família, em actividades divertidas. Aproveite e fortaleça os laços entre todos. Não deixe, só porque está em casa, de manter algumas rotinas como cada um vestir a sua roupa, em vez de andar de pijama o dia todo. A rotina ajuda a dar um sentido de previsibilidade aos mais pequenos e isso ajuda-os a lidar com o desconhecido.

Acreditamos que juntos podemos vencer o vírus!

Clementina Almeida

Fonte: https://www.publico.pt/

 

 

 

    ♦ É uma das problemáticas que os psicólogos mais identificam em crianças e adolescentes. Quando se torna patológica, a ansiedade interfere no quotidiano das crianças, impedindo-as de levar uma vida normal. Como nem sempre os mais novos têm consciência do que está a acontecer, cabe aos adultos estarem atentos aos sinais. ♦


         O coração dispara, a respiração acelera, as mãos tremem, os músculos ficam tensos. Há medo de não ser capaz, de não estar à altura, de ser avaliado de forma negativa. Estes são alguns sintomas que as crianças e adolescentes com ansiedade de desempenho escolar podem sentir. Sinais que parecem normais, mas que não devem ser desvalorizados, pois comprometem o rendimento escolar e causam elevado sofrimento.

        Quando uma criança é exposta a uma situação nova, como um teste ou uma mudança de escola, é normal que se sinta ansiosa. A chamada ansiedade adaptativa é uma emoção normal, que ajuda o ser humano a lidar com as dificuldades. No entanto, a ansiedade torna-se um problema quando é tão intensa e tão frequente que afeta o normal funcionamento da criança, comprometendo as suas relações com os outros, a aprendizagem, o sono. Ao consultório de Inês Afonso Marques, psicóloga da área infantojuvenil, chegam muitos quadros de ansiedade: “É das patologias que recebo mais na infância e na adolescência”. Citando estudos feitos nos EUA e no Reino Unido, a psicóloga diz que “2 a 4% das crianças e adolescentes reúnem critérios de diagnóstico para uma perturbação de ansiedade com interferência negativa no seu normal funcionamento”. Já a Associação Americana de Pediatria diz que as perturbações de ansiedade afetam 8% das crianças e jovens. E existem estudos que apontam para prevalências superiores a 20%.

          Ana Gomes, psicóloga clínica e professora na Universidade Autónoma, confirma que é um diagnóstico que aparece com frequência: “De acordo com a minha prática clínica, é uma das problemáticas patológicas que mais surge em crianças e adolescentes. É muito comum”. Muitas vezes, prossegue, “manifesta-se em sintomatologia somática, com a criança a apresentar várias queixas a nível físico, como dores de cabeça e de barriga, vómitos, falta de apetite”. Também pode estar associada a “depressões e perturbações alimentares. As crianças e adolescentes podem nem mostrar ansiedade aparente”.

      A nível físico, prossegue Inês Afonso Marques, pode também manifestar-se com “tonturas, coração acelerado, dificuldade em respirar, agitação motora, dificuldades na concentração”. Na dimensão cognitiva, a criança tende a ser “mais pessimista, perfecionista, com necessidade de controlo”. Quando tem uma má nota, por exemplo, um adolescente ansioso sente-se muito mal, porque acha que é um péssimo aluno. “Na dimensão emocional, há medo, tristeza, desesperança”, diz a psicoterapeuta infantojuvenil.

♦ Diferentes perturbações  

            Segundo as psicólogas ouvidas pelo EDUCARE.PT, existem vários tipos de transtornos de ansiedade na infância e adolescência, sendo os mais comuns o transtorno de ansiedade generalizada, o de pânico, o da ansiedade da separação, o de ansiedade social, o de desempenho e as fobias. Quando uma criança sofre de transtorno de ansiedade generalizada, está permanentemente ansiosa.

        “É mais constante e é muito desgastante. Está sempre alterada, inquieta, em reatividade”, explica Ana Gomes. Já a perturbação de pânico manifesta-se em ataques de pânico, “quando a ansiedade atinge picos tão exacerbados que a pessoa acha que vai morrer ou desmaiar”. Está associada a pensamentos disfuncionais, que podem conduzir a comportamentos de evitamento. Se os episódios acontecem na escola, a criança ou o adolescente deixa de querer ir para a escola.

        Não raras vezes, surge também a ansiedade de desempenho, que ocorre sobretudo em situações de avaliação, como testes, exames, apresentações de trabalhos. Um problema que pode conduzir a resistência em ir para a escola. Segundo a docente universitária, “quando os pais transmitem muita preocupação e altíssimas expectativas em relação à escola, os filhos têm mais probabilidade de ser ansiosos”. Contudo, ressalva, “há crianças e adolescentes que são ansiosos e os pais não são demasiado exigentes”.

             Nas faixas etárias mais novas, nomeadamente no pré-escolar e no primeiro ciclo, é comum surgirem perturbações de ansiedade de separação. Nesses casos, as crianças ficam muito nervosas e com medo quando têm de se separar das figuras de referência. Se a criança sofrer de ansiedade social, terá dificuldades em estar em contacto com estranhos. Por isso, evita festas de anos e até a escola, por exemplo.

           Por fim, as fobias são medos exagerados, de tal forma que a criança não consegue aproximar-se do foco do desconforto (cães, máscaras, palhaços, por exemplo). “Começa com níveis baixos que se vão exacerbando de tal forma que entra em descompensação”, adianta Ana Gomes. Segundo a psicóloga, a estratégia de evitamento (do foco do problema) usada por muitos adultos pode ser contraproducente.

♦ O que causa ansiedade nas crianças? 

             A causa da ansiedade é multifatorial, resultando da combinação de fatores genéticos e ambientais. “Há uma predisposição genética que se manifesta mais ou menos consoante a história da vida da criança”, afirma Inês Afonso Marques, acrescentando que está relacionada com as respostas que os adultos de referência têm perante as situações. Ou seja, se a criança cresce a ver os pais naturalmente ansiosos, com medo permanente de tudo, é natural que corra um risco maior de vir a ter ansiedade em níveis patológicos.

            “Muitas vezes já existiam pistas e depois há um acontecimento de vida que surge como gatilho: a primeira grande perda, uma contrariedade, uma desilusão amorosa, um conflito intenso, o bullying ”, refere a psicoterapeuta.

             Quando existe um “fundo mais ansioso”, explica Inês Marques, “tudo o que são temas sociais despertam o sistema de alarme das crianças e dos adolescentes”. É o que está a acontecer com o novo coronavírus, por exemplo.

       Nas últimas semanas, Ana Gomes recebeu duas crianças “com ansiedade disfuncional que já tem na base o coronavírus”. Segundo a psicóloga, ambas manifestavam medo de serem contaminadas, que os pais fossem contaminados, que acontecesse uma tragédia. “Era um dos pontos que lhes causava ansiedade. As crianças ouvem os pais preocupados e há umas que são mais permeáveis do que outras”.

       Segundo as especialistas, o grande problema da ansiedade é a interferência no funcionamento habitual das crianças e adolescentes, nomeadamente no sono, na motivação para a aprendizagem, nas relações com os amigos e a família. Além disso, a ansiedade potencia o isolamento e leva a comportamentos de evitamento.

         “Pais e professores são fundamentais na identificação precoce da ansiedade”, sublinha Inês Afonso Marques, destacando que as crianças tendem a não perceber o que se está a passar ou a pensar que mais ninguém está a passar por aquela situação. Quando os sintomas persistem, os pais devem encaminhar a criança para que seja avaliada por um profissional. Em consultório, esclarece a psicóloga, são ensinadas técnicas de relaxamento e respiração para diminuir a ansiedade, aprendem a adotar comportamentos mais ajustados e a perceber os padrões de pensamento que estão associados à ansiedade.

Joana Capucho

Fonte: https://www.educare.pt/

 

 

Uma equipa de investigação que está a acompanhar o Limites Invisíveis, um programa que arrancou em 2016, em Coimbra, no qual turmas do pré-escolar têm aulas ao ar livre, concluiu que, ao longo da experiência, as crianças desenvolvem maior autonomia, maior consciência ambiental, mas demonstram também menos dificuldades comportamentais.

As conclusões do estudo têm por base as percepções dos 90 pais ou encarregados de educação das crianças que frequentaram o programa, recolhidas através de inquéritos online, mas também se apoiam em entrevistas realizadas a cerca de 105 crianças entre os três e os seis anos que passaram pela Casa da Mata, na Mata do Choupal, em Coimbra. No total, o programa teve 294 participações, tendo havido crianças que repetiram a experiência.

O projecto é desenvolvido por um consórcio composto pela Escola Superior de Educação de Coimbra, pelo Centro de Apoio Social de Pais e Amigos da Escola (CASPAE), que é uma IPSS sediada em Coimbra, e pelo Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro. Os resultados do acompanhamento são apresentados publicamente esta tarde, em Coimbra. Desde 2016 que turmas de crianças do pré-escolar, de estabelecimentos privados e públicos, têm passado pela Casa da Mata ao longo de oito semanas, tendo quatro dias por semana de aulas ao ar livre.

O princípio é que as crianças possam explorar livremente a natureza, não havendo barreiras físicas à volta da casa, embora com a supervisão de educadoras de infância especializadas em educação outdoor. Não há um programa fixo e os temas vão sendo abordados consoante a curiosidade dos miúdos.

De acordo com os dados enviados ao PÚBLICO pelas investigadoras que acompanham o Limites Invisíveis, “os pais reportaram ganhos muito significativos” em “todas as competências” que tinham sido avaliadas antes do programa e voltaram a ser depois da participação das crianças. Entre elas estão o bem-estar emocional, a partilha de emoções, a autonomia, a auto-confiança, auto-regulação, a criatividade, o pensamento crítico ou a consciência ambiental. Por exemplo, antes do programa, 35,8% dos pais classificavam a autonomia das crianças como sendo elevada ou muito elevada, tendo essa percentagem subido para 87,9% depois do programa.

Já no plano sócio-emocional, de acordo com os pais, as crianças apresentaram “menos dificuldades comportamentais quer em sintomas emocionais (como ansiedade, tristeza, preocupação, medos) quer em sintomas de hiperactividade”.

Analisando a relação entre as respostas dos adultos e das crianças, a investigadora do Centro de Investigação em Didáctica e Tecnologia na Formação de Formadores da Universidade de Aveiro, Aida Figueiredo, nota um dado curioso sobre o cansaço. Embora este aspecto seja referido pelas duas partes, “as crianças percepcionam que há cansaço, mas vêem isto como uma coisa positiva. Os adultos percepcionam como um desafio”, aponta.

90% das crianças referiram que gostaram muito de frequentar o programa e 97,7% “verbalizou que gostava das explorações efectuadas pela Mata do Choupal”.  Segundo os pais, o Limites Invisíveis deixou uma marca na sua dinâmica familiar: as crianças passaram a solicitar mais saídas ao exterior.

Entretanto, o projecto cresceu e estendeu-se ao primeiro ciclo do ensino básico. Assim, foi criado o Salto à Mata, que pressupõe menos tempo passado na natureza quando a comparação é o pré-escolar, mas que segue o mesmo princípio de liberdade para explorar. Emília Bigotte, do CASPAE, explica que a iniciativa arrancou no ano lectivo anterior com a participação três turmas, provenientes de escolas públicas do primeiro ciclo, todas do agrupamento Rainha Santa Isabel, de zonas mais periféricas de Coimbra como Adémia, Eiras e Ingote. Somando o número de alunos de cada turma, há cerca de 50 crianças a participar no programa Salto à Mata, refere.

“Toda a turma vai todas semanas, uma vez por semana, durante o ano lectivo. Tanto pode ser à Mata do Choupal, como às matas circundantes da própria escola, caso existam, mas o princípio é o mesmo”, sublinha. De início, além dos professores das turmas, as experiências, numa primeira fase, são acompanhas pela educadora do Limites Invisíveis.

Tal como acontece no pré-escolar, o programa daquele dia não está definido à partida. “A professora titular de turma aproveita as explorações e o interesse da criança para desenvolver o currículo da escola”, refere a Emília Bigotte.

Fonte: https://www.publico.pt/

Camilo Soldado

Não faltam crenças falsas sobre o relacionamento dos adolescentes.

Talvez a mais perniciosa seja a que considera os pais menos importantes na adolescência porque, dizem, os jovens têm tendência a só ligar aos amigos. É verdade que o grupo de pares tem importância nesse período do desenvolvimento, mas todos os estudos e inquéritos de opinião mostram que a principal influência continua a ser a dos pais.

Que nos diz a investigação sobre o modo de educar os jovens?

Em primeiro lugar, é crucial ter um estilo parental adequado, o que quer dizer ter um conjunto adequado de atitudes e comportamentos face aos filhos que contribuam para o seu desenvolvimento saudável e responsável. Sabe-se hoje que o autoritarismo não funciona e que o estilo persuasivo é o que leva a uma melhor evolução dos mais novos. Assim, a parentalidade denominada «construtiva» é a melhor garantia de um bom futuro para os filhos. A parentalidade construtiva consiste em envolvimento afetivo permanente, boa gestão entre a promoção da autonomia do filho e o necessário controlo do seu comportamento, orientação na vida dos mais novos, respeito pela intimidade, elogio do esforço e do mérito e disciplina adequada à idade. Os pais podem e devem ser ajudados a desenvolver competências no campo da parentalidade e do estilo parental, através de programas específicos a partir da escola, do centro de saúde ou da autarquia. Esta é uma tarefa da comunidade que não deve ser negligenciada e que deveria ser uma prioridade social e política.

Os pais que adotam um estilo persuasivo e que educam para o respeito recíproco e para a autonomia responsável, vivem a adolescência dos filhos como um período de maravilhosas descobertas mútuas, que a todos deixará boas recordações.

Infelizmente na grande maioria das nossas escolas a cooperação entre os pais dos adolescentes e os professores é muito escassa, ou mesmo conflitual. Com a obsessão do controlo disciplinar, os docentes ouvem pouco os alunos e tendem a responsabilizar os pais pelo mau comportamento dos estudantes. As reuniões de encarregados de educação têm pouca adesão dos pais e apenas se ouvem lamentos de cada lado. A cooperação deveria partir de projetos dinamizados pelos alunos, ajudados pelos seus professores e incentivados pelos pais. Poucos progenitores faltarão quando forem convidados a assistir a iniciativas dos seus filhos estudantes; as reuniões continuarão desertas se apenas se ouvirem queixas ou relatórios sobre faltas e testes.

As escolas devem instruir, mas também educar. Os jovens precisam de melhorar a sua regulação emocional, melhorando o autoconhecimento, o autocontrolo, o relacionamento interpessoal com todos os elementos da escola e a gestão de conflitos.

De pouco servirão as disciplinas «estruturantes», como dizia um ministro que não deixou saudades, se a escola não se preocupar em permanência com o bem-estar emocional de todos os que a frequentam.

Fonte: https://www.leyaeducacao.com/

Daniel Sampaio

 

Ministro da Educação anuncia iniciativa nacional para a melhoria da Internet, poucos dias depois de o próprio sistema operativo existente nas escolas ter sido descontinuado.

O ministro da Educação anunciou nesta sexta-feira, no Parlamento, o lançamento de “uma iniciativa nacional para a melhoria da Internet nas escolas”, o que passará por dar “prioridade absoluta ao apetrechamento tecnológico e ao aumento e à melhoria dos equipamentos de computação”.

Foi o princípio de mais de cinco horas de audição no Parlamento, das quais mais de uma hora foram ocupadas pelos deputados para questionar o ministro sobre as obras das escolas dos distritos para onde foram eleitos. Isto apesar de se tratar da discussão na especialidade do Orçamento do Estado (OE) para 2020.

As escolas estão cheias de “tralha informática completamente obsoleta”,  acusou o deputado social-democrata António Cunha, em resposta à intervenção do ministro, cujo anúncio surgiu também na semana em que a Direcção-Geral da Administração Escolar (DGAE) assumiu o que há muito tem vindo a ser denunciado pelas escolas: a falta de professores de Informática. E que por essa razão autorizou que os directores entreguem as aulas de Tecnologias de Informação e Comunicação a professores sem habilitações académicas nesta área, bastando-lhes possuir “uma acção de formação”.

Falta de professores

“Nos anos 80 era normal recorrer a professores sem as habilitações suficientes porque a escola estava em expansão. Acontecer o mesmo em 2020 é um sinal de que a escola está em crise”, resumiu Joana Mortágua.

Escola a tempo inteiro

Por parte do PCP, Ana Mesquita lamentou que no OE para 2020 não figurem “medidas com o alcance” das adoptadas anteriormente, como é o caso da gratuitidade dos manuais escolares.

Tiago Brandão Rodrigues manifestou a este respeito o seu contentamento “por ver que o PCP” não apresenta aquela medida “como uma sua para todo o sempre”, algo de que tinha acusado anteriormente o BE: ouvindo Joana Mortágua “parece que todas as benfeitorias são obra do Bloco de Esquerda e que a senhora deputada me tinha a mim como um títere”

De regresso a Ana Mesquita, a deputada comunista manifestou ainda o receio de que a escola a tempo inteiro, agora também prometida para o 2.º ciclo, seja antes “a prisão da escola a tempo inteiro”, impedindo os alunos de terem “algo que é essência: o tempo para brincar”. E alertou o ministro para o “saque” das escolas públicas por parte da iniciativa privada.

“Não me vai dizer que eu tenho qualquer conluio com a iniciativa privada”, desabafou Tiago Brandão Rodrigues, que reconhece de seguida que há por parte de algumas empresas uma “tentativa de parasitação” das escolas públicas, mas que existem também casos de “simbiose” que são positivos.

Sobre a escola a tempo inteiro, o ministro da Educação lembrou que na anterior legislatura foram já dadas instruções às escolas para que “as Actividades de Enriquecimento Curricular sejam lúdicas”.

Na sua intervenção inicial, Tiago Brandão Rodrigues já referira também que a sua extensão ao 2.º ciclo, que começará por um projecto-piloto em dez agrupamentos, se destina também a permitir “uma melhor conciliação da vida escolar dos alunos com a vida profissional dos seus familiares”.

Amianto nas escolas

Uma pergunta comum a quase todas as bancadas foi a que diz respeito à retirada do amianto das escolas, mas o ministro da Educação não especificou quantas irão ser intervencionadas e quando.

Segundo o ministro, nos últimos quatro anos já terão sido investidos “mais de 700 milhões de euros” em obras em outras tantas escolas, que foram realizadas em conjunto “com mais de uma centena de autarquias”.

Fonte: https://www.publico.pt/

Clara Viana

Estudantes que concluem o curso nos três anos previstos são 63% do total, mais dez pontos percentuais do que há quatro anos. Abandono escolar também foi reduzido.

Nunca houve tantos alunos do ensino profissional a concluir os seus cursos no tempo previsto. O indicador usado pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) para aferir o sucesso destes estudantes mede quantos completaram a formação nos três anos de duração. Em 2017/18, foram 63% do total de inscritos, mais dez pontos percentuais do que quatro anos antes.

Em 2017/18, o ano lectivo para o qual existem os dados mais actualizados – publicados num relatório da DGEEC editado no mês passado – cerca 19.500 estudantes do ensino profissional completaram a sua formação em três anos. Em 2014/15, tinham sido 15.600.

Os quase 19.500 alunos, correspondem a 63% dos inscritos no ensino profissional em 2017/18 – tendo entrado no curso em 2015/16. Em 2014/15, 53% dos estudantes tinham completado o curso em três anos. O número “tem vindo a aumentar gradualmente”, como sublinha o relatório da DGEEC.

O documento inclui apenas dados de quatro anos lectivos – entre 2014/15 e 2017/18 –, mas a investigadora da Universidade do Minho Fátima Antunes lembra que a retenção no ensino profissional tem tido uma “evolução positiva desde há mais de dez anos”, resultando agora na taxa de sucesso mais elevada de sempre. A especialista defende ainda que é preciso ler este aumento dos indicadores de sucesso num contexto em que os resultados também estão a melhorar nos cursos científico-humanísticos do ensino secundário, bem como no ensino básico.

Fátima Antunes entende que, também por isso, os alunos “chegam em melhores condições” ao ensino profissional e que o esforço que tem sido feito no apoio ao estudo e na promoção das condições de progressão dos alunos são também factores que têm que ser levados em consideração para entender a melhoria dos números.

“Os dados revelam melhorias muito significativas no ensino profissional”, valoriza o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, considerando-os “indicadores muito positivos da qualidade dos cursos profissionais, bem como da confiança e do reconhecimento” que estes merecem.

“Nunca é demasiado sublinhar que a valorização do ensino profissional implica fazer com que esta seja uma via de ensino com a mesma qualidade e em plena igualdade com as demais, sublinha ainda o governante, numa nota escrita enviada ao PÚBLICO.

O relatório da DGEEC destaca que o aumento das taxas de conclusão do ensino profissional no tempo normal “foi obtido, sobretudo, através de uma redução da percentagem de alunos que demora mais de três anos a concluir esta oferta de ensino”, isto é, através de um crescimento do sucesso escolar. A redução das taxas de abandono teve menos impacto nesta evolução positiva, nota também o documento.

Ainda assim, nos mesmos quatro anos, a taxa de abandono do ensino profissional baixou dois pontos percentuais. Em 2017/18, 12% dos alunos que tinham entrado numa destas formações três anos antes, abandonaram-nas sem conclusão.

Os indicadores publicados pela DGEEC são melhores nas escolas profissionais privadas do que nas públicas. Enquanto, na rede de escolas do Estado, 59% dos alunos completam o curso nos três anos previstos, no sector privado, esse valor é 10 pontos percentuais mais elevado.

 

Soldagem, Ferro, Trabalhador, Indústria, Aço, Soldador

Fátima Antunes lembra que a maioria das escolas profissionais privadas têm “mais candidatos do que vagas”, o que lhes permite fazer alguma selecção de alunos, mas não deixa de considerar que um “efeito de experiência” de cerca de 30 anos de ensino profissional privado pode garantir “um acompanhamento diferente dos estudantes.

Os dados agora publicados confirmam uma realidade que já tinha sido evidenciada no relatório do ano passado: os alunos que, no ensino básico, foram desviados para outras ofertas educativas, devido ao acumular de chumbos, são também os que têm menos sucesso nos cursos profissionais do ensino secundário.

Em sentido contrário, os alunos com melhores resultados são os que fizeram o percurso geral até ao 9.º ano: 72% conseguem concluir o curso profissional nos três anos esperados. Esse indicador reduz-se para 44% nos alunos que fizeram um curso vocacional no ciclo anterior e é ainda mais baixo (29%) para quem vem de um Curso de Educação e Formação (CEF).

Também os dados relativos ao abandono seguem a mesma tendência e, enquanto nos estudantes vindos do ensino básico geral, apenas 6% desistiram do curso profissional, três anos após a sua inscrição, entre os alunos com passado nos CEF, o abandono é de 37%.

O relatório apresenta os resultados de um esforço da DGEEC em seguir os alunos que ingressaram nos cursos profissionais, nos anos lectivos 2012/13 a 2015/16. “Para aumentar a consistência e facilidade de interpretação dos resultados”, apenas foram considerados os alunos que ingressaram nos cursos profissionais vindos directamente do ensino básico.

Samuel Silva

Fonte: https://www.publico.pt/